Experimentos mentais são casos inventados para isolar uma variável, como um laboratório faz. Eles não descrevem a vida real; servem para descobrir o que você pensa de fato, quando as circunstâncias deixam de ajudar. Esta lição apresenta os mais influentes. Cada um tem a sua página na seção de dilemas.
Uma analogia
Um simulador de voo cria situações que nunca aconteceriam exatamente assim, para que o piloto descubra como reage. Experimentos mentais fazem isso com a moral: casos impossíveis, montados para isolar uma pergunta e revelar o que pensamos de fato.
Explicando para uma criança
São histórias inventadas, como “e se existisse um anel que deixasse você invisível?”, feitas para descobrir o que você acha certo. Não precisam ser reais. Precisam fazer você pensar.
Ao fim desta lição, você vai conseguir
- Explicar o que cada experimento mental testa: máquina, lago, violinista, anel, monstro, Omelas, último homem.
- Dizer o que faz um experimento mental ser bom ou ruim.
- Usar um deles para testar um princípio próprio.
Ajuda ter lido: Como funciona um argumento moral.
Antes de ler: o que você faria?
Omelas é uma cidade perfeita cuja felicidade depende de uma criança mantida em sofrimento num porão. Todos sabem.
Você ficaria? Se não, o que sua resposta diz sobre a soma de felicidade?
Ver o que a lição responde
Quem vai embora rejeita que a felicidade de muitos compre o sofrimento de um; é a objeção da agregação em forma de conto. A lição explica cada experimento e o princípio que ele isola.
A máquina de experiências
Robert Nozick, 1974. Uma máquina pode dar a você qualquer experiência que quiser, pela vida inteira, indistinguível da realidade. Você se ligaria? A maioria diz não. Se é assim, o que queremos não é só sentir: queremos fazer, ser alguém e estar em contato com a realidade. O caso é a principal objeção ao hedonismo. Veja a página.
A criança no lago
Peter Singer, 1972. Você passa por um lago raso e vê uma criança se afogando. Salvá-la estraga seus sapatos caros. Ninguém hesita. Então por que hesitamos em doar o valor dos sapatos para salvar uma criança distante, de uma doença evitável? Distância, número de outros que poderiam ajudar e falta de contato visual não parecem diferenças moralmente relevantes. O caso fundou o movimento do altruísmo eficaz. Veja a página.
O violinista
Judith Jarvis Thomson, 1971. Você acorda conectado a um violinista famoso que morrerá se for desconectado antes de nove meses. Tem obrigação de ficar? Thomson argumenta que não, por mais que seja generoso ficar. O caso foi criado para o debate sobre aborto: mesmo concedendo que o feto é uma pessoa, não se segue que haja obrigação de sustentá-lo com o próprio corpo. Veja a página.
O anel de Giges
Platão, República. Um anel torna quem o usa invisível. Quem resistiria a fazer o que quisesse sem ser visto? A pergunta é se somos justos por convicção ou por medo de ser pegos. Platão argumenta que a justiça vale por si mesma, porque a alma injusta vive em desordem. Mas o caso também testa a diferença entre moral e reputação. Veja a página.
O monstro utilitário e a conclusão repugnante
Dois casos contra a agregação simples. No monstro (Nozick), um ser que ganha mais prazer do que todos perdem justificaria sacrificar todos a ele. Na conclusão repugnante (Parfit), um mundo imenso de vidas quase sem valor seria melhor do que um mundo pequeno de vidas excelentes, porque a soma é maior. Os dois obrigaram os consequencialistas a repensar como somar.
Omelas
Ursula K. Le Guin, 1973. Uma cidade perfeita, cuja felicidade depende de uma criança mantida em sofrimento em um porão. Todos sabem. Alguns vão embora. O conto pergunta se a felicidade de muitos pode se apoiar na agonia de um, e dá nome à objeção mais antiga ao utilitarismo. Veja a página.
O último homem
Richard Routley, 1973. O último humano vivo, antes de morrer, destrói toda a vida restante no planeta: florestas, animais, tudo. Nenhum humano será afetado. Ele fez algo errado? Se sim, o valor da natureza não depende de nós. O caso fundou a ética ambiental. Veja a página.
Jim e os indígenas
Bernard Williams, 1973. Jim chega a uma vila onde vinte prisioneiros vão ser executados. O capitão oferece: se Jim matar um, os outros dezenove serão libertados. O utilitarismo diz que Jim deve atirar. Williams não discorda da resposta, mas da facilidade: o utilitarismo trata a integridade de Jim como um detalhe. Veja a página.
Como usar um experimento mental
- Aceite as premissas. “Mas na vida real…” é fugir do teste.
- Note a sua primeira reação. Ela é dado, não veredito.
- Pergunte que princípio ela expressa.
- Teste o princípio em outro caso. Se falha, ou o princípio está errado, ou a reação estava.
- Repita até as suas intuições e princípios se encaixarem. É o equilíbrio reflexivo.
Para guardar
- Experimentos mentais isolam uma variável de propósito; testam a coerência de um princípio, não a frequência do caso.
- Máquina, lago, violinista, anel, monstro, Omelas e último homem testam, cada um, um princípio diferente.
- O mau experimento é o que esconde a variável, não o que simplifica.
Para pensar
Qual destes experimentos mais abalou uma convicção sua? Que princípio ele testou, e o que você fez com o resultado?
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