Nenhuma teoria ética recebeu tantas críticas quanto o consequencialismo, em parte porque é a mais explícita sobre o que defende. Esta lição apresenta as objeções mais fortes e o que os defensores respondem. Você decide quem vence.
Uma analogia
Um carro muito rápido com um defeito conhecido: quem o defende diz que corrigiu o defeito; quem o critica diz que o conserto mudou o carro. As objeções ao consequencialismo são assim: cada uma gerou uma versão nova da teoria, e a discussão é se o que sobrou ainda é a mesma coisa.
Explicando para uma criança
Se a regra fosse “faça o que deixa mais gente feliz”, alguém poderia dizer: então posso pegar o brinquedo de uma criança e dar para três? A maioria sente que isso é errado. Pensar nesses casos é como testar se a regra tem furos.
Ao fim desta lição, você vai conseguir
- Listar as sete objeções clássicas ao consequencialismo.
- Dar a resposta consequencialista a cada uma e avaliar qual convence.
- Identificar quais objeções levaram a versões revisadas (regras, satisfatório, com restrições).
Ajuda ter lido: Bentham, Mill e o utilitarismo clássico.
Antes de ler: o que você faria?
Jim chega a uma aldeia onde um capitão vai fuzilar vinte pessoas. Oferece: se Jim matar uma, solta as outras dezenove.
O cálculo é óbvio. Por que Williams diz que a resposta fácil mostra algo errado na teoria?
Ver o que a lição responde
Para Williams, a teoria trata Jim como uma alavanca para o melhor resultado, ignorando que é ele quem mataria; é a objeção da integridade. A lição percorre esta e as outras seis objeções, com as respostas.
1. Aprova sacrificar inocentes
A objeção: um cirurgião pode matar um paciente saudável e usar seus órgãos para salvar cinco. A soma aprova. Veja o dilema do transplante.
A resposta: em um mundo real, isso destruiria a confiança na medicina, com consequências muito piores. Um consequencialista de regras ou de dois níveis proíbe a prática. Mas: e se ninguém jamais soubesse? A objeção volta, e muitos acham que a resposta correta é “ainda assim é errado”, o que o consequencialismo de ato não consegue dizer.
2. Exige demais
A objeção: se cada real doado pode salvar alguém, você deveria doar até ficar quase tão pobre quanto quem ajuda. Nenhuma vida normal passa nesse teste.
A resposta: alguns aceitam a exigência e dizem que a culpa é da nossa complacência, não da teoria. Outros distinguem o que é obrigatório do que é ideal, ou dizem que uma exigência tão alta geraria menos bem no total, porque ninguém a seguiria. Veja quanto a moral pode exigir.
3. Não dá para calcular
A objeção: ninguém conhece todas as consequências de um ato, a longo prazo e para todos.
A resposta: a teoria diz o que torna um ato certo, não como decidir na hora. Na prática, agimos pelo resultado esperado, com regras boas e humildade. Toda teoria enfrenta incerteza: o deontologista também precisa saber se está mesmo mentindo, e para quem.
4. Ignora a separação entre pessoas
A objeção: somar o bem de todos trata a sociedade como um único organismo. Mas o prazer de um não compensa a dor de outro: são vidas diferentes.
A resposta: o prioritarismo e as éticas focadas no sofrimento incorporam a objeção, dando peso extra a quem está pior e recusando compensações entre pessoas no caso de sofrimento extremo. Veja como agregar.
5. O monstro utilitário e a conclusão repugnante
Dois casos de Nozick e Parfit: um ser que ganha mais prazer do que todos perdem justifica que todos sejam sacrificados a ele; e um mundo imenso de vidas quase sem valor supera um mundo pequeno de vidas excelentes. Veja o monstro e a conclusão repugnante. As respostas passam por limites à agregação e por prioridade ao sofrimento, e nenhuma é consensual.
6. Destrói a integridade
Bernard Williams objetou que o consequencialismo exige que você trate os próprios projetos e compromissos como uma fonte de bem entre outras. Veja Jim e os indígenas. A resposta usual é que relações e projetos geram bem, e uma teoria sensata os protege, mas Williams insistia que isso os protege pelo motivo errado.
7. Não respeita direitos
Se direitos só valem enquanto produzem bons resultados, não são direitos: são políticas. Mill respondeu que direitos protegidos com firmeza são justamente o que produz mais bem a longo prazo. Deontologistas acham a resposta boa demais para ser verdade: ela chega à conclusão certa pela razão errada.
O que fica
As objeções mostram o que a teoria pura deixa de fora: a separação entre pessoas, o valor de relações e a sensação de que algumas coisas simplesmente não se fazem. Os consequencialistas responderam incorporando boa parte disso. O que não conseguem abandonar, e com razão, é a pergunta central: quem fica melhor e quem fica pior? Qualquer teoria que a ignore também tem um problema.
Para guardar
- Sete objeções clássicas: sacrifícios, exigência, cálculo, separação das pessoas, monstro e conclusão repugnante, integridade, direitos.
- Cada objeção tem resposta, e as respostas geraram as versões de regras, satisfatória e com restrições.
- As objeções mostram o custo de cada versão, não a morte da família.
Para pensar
Qual das sete objeções pesa mais para você? Qual resposta consequencialista a ela você acha menos convincente, e por quê?
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