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Dilemas / Agregação e população

O monstro utilitário

Um ser que ganha mais prazer do que todos perdem justificaria sacrificar todos a ele.

Origem: Robert Nozick, 1974.

Imagine um ser que obtém, de cada unidade de recurso que consome, muito mais prazer do que qualquer humano perderia ao cedê-la. Pela soma, deveríamos dar tudo a ele, até que todos os demais estivessem na miséria.

A soma total aprova. Isso refuta a soma total?

O que cada teoria tende a dizer

Utilitarismo clássicoAceita a conclusão em teoria e nega que tal ser exista; alguns admitem que a objeção mostra um problema real na agregação.
PrioritarismoResiste: os ganhos do monstro valem menos quanto melhor ele está, e as perdas dos outros valem mais quanto pior ficam.
Deontologia de direitosNinguém pode ser sacrificado pela conta de outro, monstro ou não.
Utilitarismo negativo (prioridade absoluta)A miséria dos demais pesa mais do que qualquer prazer do monstro.

Tendências, não vereditos: dentro de cada teoria há variantes, e autores da mesma família discordam.

O que o caso ensina

O caso mostra que somar sem limite ignora a separação entre pessoas: o prazer de um não compensa a miséria de outros. Quase todas as variantes do consequencialismo nasceram de objeções como esta. Nozick também notou que o problema aparece em escala com animais: se o prazer humano de comer carne supera o sofrimento animal, a soma aprova a pecuária, e ele achava isso suspeito.

Perguntas para pensar

  1. Qual foi a sua primeira reação, e que princípio ela expressa?
  2. Esse princípio vale em um caso parecido com os papéis trocados?
  3. O que mudaria a sua resposta?

Lições relacionadas: Somar, priorizar ou garantir o mínimo?, As objeções ao consequencialismo, e as respostas.