Dilemas / Agregação e população
A conclusão repugnante
Um mundo imenso de vidas quase sem valor seria melhor do que um mundo pequeno de vidas excelentes, porque a soma é maior.
Origem: Derek Parfit, 1984, em “Reasons and Persons”.
Z é melhor do que A?
O que cada teoria tende a dizer
| Utilitarismo clássico | Sim, e alguns aceitam: a repugnância seria um viés de escala. |
|---|---|
| Utilitarismo médio | Não, mas cai em outros absurdos sobre adicionar e remover pessoas. |
| Prioridade ao sofrimento | Z tem muito sofrimento disperso; A, pouco. A é melhor. |
| Ética exclusivamente negativa | Criar vidas não tem valor positivo; a pergunta nem se coloca. |
Tendências, não vereditos: dentro de cada teoria há variantes, e autores da mesma família discordam.
O que o caso ensina
Parfit passou décadas buscando uma “Teoria X” que evitasse a conclusão sem cair em outra igualmente ruim, e não achou. Teoremas posteriores mostram que nenhuma teoria satisfaz todas as condições que parecem óbvias. Alguma intuição terá de ser abandonada; a ética populacional é a discussão sobre qual.
Perguntas para pensar
- Qual foi a sua primeira reação, e que princípio ela expressa?
- Esse princípio vale em um caso parecido com os papéis trocados?
- O que mudaria a sua resposta?
Lições relacionadas: As objeções ao consequencialismo, e as respostas, Gerações futuras: quem ainda não nasceu conta igual?, Ética populacional e a conclusão repugnante, Identidade pessoal e ética: o que Parfit mudou, Riscos X e riscos S: o pior que pode acontecer, O problema do alinhamento.
No mesmo tema
O monstro utilitário
Um ser que ganha mais prazer do que todos perdem justificaria sacrificar todos a ele.
Agregação e populaçãoOmelas
Uma cidade perfeita, cuja felicidade depende de uma criança mantida em sofrimento. Todos sabem. Alguns vão embora.
Agregação e populaçãoO barco salva-vidas
Um barco com lugar para poucos, e muitos nadando ao redor. Quem entra, e com que critério?