Nível Intermediário
Ética intermediária
As teorias por dentro, a mente moral, a pobreza global e os dilemas clássicos.
Como estudar este nível
36 lições em 6 blocos, cerca de 2 horas de leitura, em sessões de 10 a 15 minutos.
- Siga a ordem dos blocos. Cada lição começa dizendo o que você vai aprender e o que ajuda ter lido antes.
- Responda ao caso de abertura antes de ler: prever e depois conferir é o que mais fixa.
- Não pule o fim da lição: os pontos para guardar, a pergunta para pensar, o erro comum e os três testes.
- Marque como lida para acompanhar o progresso e receber lições para revisar.
- Feche com a revisão do nível (uma pergunta por lição, com placar) e o teste do nível (dez sorteadas). Para estudar por tema, use as trilhas.
Revise o que leu há mais tempo
A memória precisa de revisão espaçada. Estas são as lições deste nível que você marcou como lidas há mais tempo.
Consequencialismo por dentro
Bentham, Mill e o utilitarismo clássico
A maior felicidade para o maior número: de onde veio a ideia, o que ela quer dizer de fato e as duas formas de aplicá-la.
IntermediárioO que torna uma vida boa? As teorias do bem-estar
Prazer, desejos satisfeitos ou uma lista de bens: três respostas sobre o que é bom para quem vive a vida, e por que a escolha muda tudo.
IntermediárioSomar, priorizar ou garantir o mínimo?
Dizer que o resultado importa não diz como juntar o bem de várias pessoas. Utilitarismo, prioritarismo, maximin, igualitarismo e suficientismo dão respostas diferentes.
IntermediárioO peso do sofrimento diante do prazer
Um dia bom compensa um dia de agonia? Para alguns, sim, ponto a ponto. Para outros, o sofrimento extremo pesa mais, ou pesa só ele.
IntermediárioAs objeções ao consequencialismo, e as respostas
Exige demais, aprova sacrifícios, não respeita direitos, não dá para calcular. Cada objeção tem uma resposta, e nem todas convencem.
IntermediárioFazer e deixar acontecer: o viés de omissão
Causar um dano parece pior do que deixar que ele aconteça. Às vezes é. Mas o cérebro usa essa diferença para desculpar muito do que deixamos de fazer.
IntermediárioUm cenário melhor ou o melhor cenário?
“Melhorou” não é “ficou bom”, e “bom” não é “o melhor possível”. A diferença entre comparar com o passado e comparar com as alternativas reais decide muitas discussões.
Deontologia por dentro
Kant e o imperativo categórico
Aja só segundo uma regra que você poderia querer universal, e trate cada pessoa como fim. As duas fórmulas de Kant, explicadas sem jargão.
IntermediárioDireitos como trunfos e a deontologia de limiar
Direitos vencem cálculos de utilidade, como trunfos no baralho. Mas vencem sempre, ou cedem diante de uma catástrofe?
IntermediárioIntenção e previsão: o duplo efeito e os deveres prima facie
Importa se o dano foi pretendido ou só previsto? E o que fazer quando dois deveres colidem? Duas ferramentas da deontologia moderada.
IntermediárioÉtica e religião: o dilema de Eutífron
Algo é bom porque Deus manda, ou Deus manda porque é bom? A pergunta de Platão ainda organiza o debate entre crentes e não crentes.
IntermediárioA moralidade sem religião
“Se Deus não existe, tudo é permitido”? O que fundamenta a moral de quem não crê, o que a evidência mostra sobre sociedades seculares e o que a religião ainda oferece.
Caráter, cuidado e contrato
Aristóteles, a vida boa e as virtudes
Eudaimonia, o meio-termo e a sabedoria prática: por que a ética das virtudes voltou ao centro do debate depois de dois mil anos.
IntermediárioA ética do cuidado
Gilligan, Noddings e Held: a moral começa em relações de dependência, não entre estranhos que negociam. O que isso muda e o que não muda.
IntermediárioÉtica feminista: o que a filosofia deixava de fora
De Wollstonecraft a Okin e Nussbaum: a crítica à teoria feita por e para homens independentes, a esfera privada, a autonomia relacional e o cruzamento com a ética animal.
IntermediárioEducação moral: como se forma uma pessoa boa?
Ninguém nasce justo. Aristóteles, Kohlberg, a psicologia do hábito e a pergunta prática: o que uma família, uma escola ou uma sociedade pode fazer?
IntermediárioÉtica e sentido da vida: o que torna uma vida significativa
Sentido não é felicidade nem moralidade. Susan Wolf, Thaddeus Metz, Nagel e Camus sobre o que faz uma vida valer a pena, e o que isso tem a ver com fazer o bem.
IntermediárioContratualismo: a moral como acordo
Certo é o que pessoas razoáveis aceitariam, de Hobbes a Scanlon. E o que acontece quando o véu da ignorância esconde também a espécie.
Mente e moral
Psicologia moral: intuição primeiro, razão depois
Haidt, Greene e a mente de dois sistemas: como julgamos de fato, e por que saber disso não diz como deveríamos julgar.
IntermediárioEmoções morais: culpa, vergonha, indignação, nojo e perdão
Emoções não são o oposto da razão moral: são parte de como percebemos o que importa. Mas cada uma tem um uso bom e um uso ruim.
IntermediárioMilgram, Zimbardo, Arendt: pessoas comuns fazem o mal?
Os experimentos que mostraram quanto a situação pesa sobre o caráter, a banalidade do mal e a objeção situacionista à ética das virtudes.
IntermediárioVieses que distorcem o julgamento moral
Uma vítima com nome vale mais do que mil sem nome; o que está perto pesa mais do que o que está longe. Conheça os atalhos que torcem a moral.
IntermediárioFraqueza de vontade: saber o que é certo e não fazer
Especialistas em ética animal que comem animais provam que argumentos não mudam ninguém? Não. Entre a crença e o ato há mais coisas do que parece.
IntermediárioLivre-arbítrio e responsabilidade moral
Se tudo o que você faz tem causas, você é responsável? Compatibilismo, os casos de Frankfurt e a sorte moral: o que sobra da culpa e do mérito.
IntermediárioTribalismo moral: os eixos em que privilegiamos os nossos
Mesmo quem busca imparcialidade mantém preferências por grupo. Nação, raça, sexo, religião, classe, espécie: dezesseis eixos para examinar.
Ética aplicada
Pobreza extrema e ética global
Centenas de milhões vivem com menos do que o mínimo. O que isso exige de quem tem mais, e o que de fato funciona para ajudar?
IntermediárioA ética por trás de cada sistema econômico
Toda teoria econômico-política carrega uma resposta ética: o que é justo, quem conta, o que vale mais. Veja o que cada uma pressupõe, o que acerta e o que as evidências dizem.
IntermediárioExploração: quando uma troca vantajosa ainda é injusta
Marx, Wertheimer e Zwolinski sobre a fábrica de salários baixos, o trabalho por aplicativo e a venda de órgãos. O que torna uma troca exploração, e se é pior do que não trocar.
IntermediárioPunição: por que e como punir
Retribuição, prevenção, reabilitação, reparação: as justificativas da pena, o que a evidência diz sobre o que funciona e os limites que nenhuma delas dispensa.
IntermediárioBioética: autonomia, consentimento e os quatro princípios
A ética da medicina e da pesquisa: de onde veio, os quatro princípios de Beauchamp e Childress, o consentimento informado e os casos que a moldaram.
IntermediárioDeficiência: dependência, cuidado e o valor de cada vida
O que a deficiência ensina às teorias feitas para adultos independentes: o modelo social, a crítica de Kittay a Rawls e o debate com Singer.
IntermediárioÉtica da tecnologia e da inteligência artificial
Algoritmos que decidem crédito e liberdade, sistemas que manipulam atenção, responsabilidade sem um responsável: as perguntas éticas da tecnologia atual.
IntermediárioÉtica da inteligência artificial
Justiça, transparência, responsabilidade, privacidade, armas, trabalho e o estatuto moral das máquinas: o mapa das perguntas éticas que a IA levanta, e o que cada teoria diz.
IntermediárioResponsabilidade coletiva: sua parte nos danos de todos
Arendt, Jaspers, Iris Marion Young e Kutz: o que você deve por males que ninguém causou sozinho, da injustiça estrutural ao clima e à criação industrial.
Dilemas clássicos
O dilema do bonde e suas variantes
Desviar o bonde e matar um para salvar cinco: quase todos dizem sim. Empurrar alguém da passarela: quase todos dizem não. O que muda?
IntermediárioOutros experimentos mentais que mudaram a ética
A máquina de experiências, a criança no lago, o violinista, o anel de Giges: casos imaginários que testam princípios reais.
Experimente
O bonde, caso a caso
Responda às variantes do dilema e veja que padrão suas respostas revelam.
Teste de troca
Você julgaria o mesmo ato se o autor fosse do outro grupo?
Todos os dilemas
25 casos clássicos.
Os três casos do curso
Três casos atravessam os três níveis. A cada nível, veja como cada família responde a eles, com mais detalhe do que no nível anterior.
- A criança no lago. Você passa por um lago raso onde uma criança se afoga. Salvar custa seus sapatos. E a criança distante, que o mesmo dinheiro salvaria?
- O frango de granja. Um frango passa a vida em um galpão lotado e morre aos 42 dias. É barato, é legal, é o que quase todos comem.
- A promessa ao moribundo. Você prometeu a um amigo, no leito de morte, entregar o dinheiro dele a um clube de golfe. Um hospital infantil precisa do mesmo valor. Ninguém saberá.
| Família | A criança no lago | O frango de granja | A promessa ao moribundo |
|---|---|---|---|
| Consequencialismo | Singer: nenhuma diferença (distância, número de salvadores, incerteza) é moralmente relevante. A objeção da exigência responde que há um teto; o consequencialismo satisfatório o fixa. | O utilitarismo de ato condena a compra pelo valor esperado; o de regras, pela prática. A substituibilidade (matar e repor) é a objeção interna mais incômoda. | O consequencialismo de regras cumpre a promessa, porque a prática vale mais do que o caso; o de ato dá ao hospital. |
| Deontologia | Kant: beneficência é dever imperfeito; Pogge transforma o caso distante em dever negativo (não sustentar regras que empobrecem). | Regan: o frango é sujeito de uma vida e tem direito a não ser usado como recurso. Kant original: só deveres indiretos. | Ross: fidelidade e beneficência são deveres prima facie; o juízo pesa. O absolutista cumpre; o de limiar hesita. |
| Caráter e cuidado | A ética do cuidado começa perto e precisa da imparcialidade para alcançar a criança distante. | O cuidado alcança o animal em relação de dependência; a virtude da justiça alcança o que não se vê. | A lealdade é virtude, e a sabedoria prática sabe quando ela cede; o pesar depois é adequado. |
| Contratualismo | Scanlon: o princípio “ajude quando o custo é pequeno” não é razoavelmente rejeitável; a versão para distantes é institucional. | Rowlands: sob um véu que esconde a espécie, ninguém aceita a criação industrial. | Um princípio que permita quebrar promessas por qualquer bem maior seria rejeitado; um que permita em casos graves e raros, não. |
| Mente e moral | A vítima identificável explica por que salvamos no lago e não à distância; é viés, não razão. | A dissonância explica por que quem condena continua comprando; a fraqueza de vontade não é hipocrisia. | A promessa pesa mais quando o amigo tinha rosto; o hospital é estatística. |