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Dilemas / Quem conta

O véu da ignorância

Escolha as regras da sociedade sem saber quem você será nela. E se também não soubesse a sua espécie?

Origem: John Rawls, 1971; extensão de Mark Rowlands, 1998.

Você vai escolher os princípios básicos da sociedade, mas não sabe que posição ocupará: rico ou pobre, saudável ou doente, maioria ou minoria. Rowlands acrescenta: você também não sabe se nascerá humano ou um dos bilhões de animais criados para alimentação.

Que regras você escolheria?

O que cada teoria tende a dizer

Contratualismo rawlsianoLiberdades iguais para todos; desigualdades só se beneficiarem quem está pior.
Contratualismo estendidoCom a espécie sob o véu, ninguém aceitaria as regras da criação industrial.
Utilitarismo clássicoHarsanyi: sob o véu, o racional é maximizar a utilidade esperada, o que leva ao utilitarismo, não ao maximin.
Egoísmo éticoO véu neutraliza o egoísmo: sem saber quem é, você só pode ser imparcial.

Tendências, não vereditos: dentro de cada teoria há variantes, e autores da mesma família discordam.

O que o caso ensina

O véu é o teste de imparcialidade mais influente da ética. Ele retira da decisão tudo o que só favorece você. A extensão de Rowlands mostra que a lógica do véu não tem razão interna para parar na espécie: se talento e classe não são merecidos, a espécie também não.

Perguntas para pensar

  1. Qual foi a sua primeira reação, e que princípio ela expressa?
  2. Esse princípio vale em um caso parecido com os papéis trocados?
  3. O que mudaria a sua resposta?

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