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Dilemas / Quem conta

Os casos marginais

Se a razão é o critério para contar, bebês e pessoas com deficiência grave ficariam fora. Se contam mesmo assim, por que os animais não?

Origem: Argumento com raízes em Bentham; formulado explicitamente por Peter Singer, Tom Regan e Daniel Dombrowski.

Alguém defende que animais não contam porque não raciocinam, não falam, não fazem contratos. Mas bebês humanos, pessoas com deficiência cognitiva grave e pessoas em demência avançada também não, e muitos animais adultos têm capacidades iguais ou superiores às deles.

O que justifica incluir esses humanos e excluir os animais?

O que cada teoria tende a dizer

SencientismoNada. O critério que inclui a todos é a senciência, e ela inclui os animais.
AntropocentrismoA pertença à espécie humana, em si. Críticos: julgar o indivíduo pelo grupo é a estrutura do preconceito.
GradualismoO peso varia com capacidades, o que rebaixaria esses humanos. Poucos aceitam.
Contratualismo hobbesianoNão há boa resposta: quem não pode contratar fica fora, e isso inclui os bebês.

Tendências, não vereditos: dentro de cada teoria há variantes, e autores da mesma família discordam.

O que o caso ensina

O argumento não diz que bebês contam menos. Diz o contrário: eles contam, e por isso o critério não pode ser a razão. Quem quer excluir os animais precisa achar um traço que todos os humanos tenham e nenhum animal tenha, e que seja relevante para sofrer. Até hoje, o único candidato é a espécie, e a espécie é o que está em questão.

Perguntas para pensar

  1. Qual foi a sua primeira reação, e que princípio ela expressa?
  2. Esse princípio vale em um caso parecido com os papéis trocados?
  3. O que mudaria a sua resposta?

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