Dilemas / Quem conta
A criança no lago
Você salvaria uma criança se afogando, mesmo estragando sapatos caros. Por que não doa o valor dos sapatos para salvar uma criança distante?
Origem: Peter Singer, 1972, em “Fome, Riqueza e Moralidade”.
Qual é a diferença moralmente relevante entre os dois casos?
O que cada teoria tende a dizer
| Utilitarismo clássico | Nenhuma. Distância, nacionalidade e falta de contato visual não mudam o valor de uma vida. Devemos doar. |
|---|---|
| Deontologia kantiana | Há um dever imperfeito de beneficência, com latitude: alguma doação é devida, mas não a qualquer custo. |
| Ética do cuidado | A proximidade importa para o cuidado, mas a vulnerabilidade distante também chama. |
| Egoísmo ético | Nenhum dever em nenhum dos casos. Mas quase ninguém aceita isso para o lago. |
Tendências, não vereditos: dentro de cada teoria há variantes, e autores da mesma família discordam.
O que o caso ensina
O caso expõe um viés: a vítima identificável e próxima comove, a distante não. Nenhuma das diferenças (distância, número de outros que poderiam ajudar, não ser o único) parece relevante quando examinada. Mesmo quem rejeita a conclusão radical de Singer costuma admitir que doar para organizações eficazes é mais do que uma gentileza.
Perguntas para pensar
- Qual foi a sua primeira reação, e que princípio ela expressa?
- Esse princípio vale em um caso parecido com os papéis trocados?
- O que mudaria a sua resposta?
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