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Dilemas / Quem conta

O último homem

O último humano vivo destrói toda a vida restante antes de morrer. Ninguém será afetado. Ele fez algo errado?

Origem: Richard Routley (depois Sylvan), 1973.

Uma catástrofe deixou um só ser humano vivo. Antes de morrer, ele decide destruir tudo o que resta: florestas, animais, todas as formas de vida. Nenhum humano jamais será afetado pelo que ele fizer.

Ele fez algo errado? Se sim, por quê?

O que cada teoria tende a dizer

AntropocentrismoNão há vítima humana; se é errado, é só por dizer algo sobre o caráter dele.
SencientismoSim: há animais sendo mortos, e eles contam. Imagine só plantas e rochas, e a intuição enfraquece.
BiocentrismoSim: toda vida tem valor em si, inclusive a vegetal.
Ecocentrismo (holismo ambiental)Sim: a biosfera tem valor independente de observadores.

Tendências, não vereditos: dentro de cada teoria há variantes, e autores da mesma família discordam.

O que o caso ensina

O caso fundou a ética ambiental ao mostrar que muitos sentem que a natureza tem valor independente de nós. Mas ele mistura duas coisas: a morte de animais sencientes, que o sencientismo já condena, e a destruição de vida não senciente. Separá-las revela que a intuição “ecocêntrica” pode ser, em boa parte, uma intuição sobre quem sofre.

Perguntas para pensar

  1. Qual foi a sua primeira reação, e que princípio ela expressa?
  2. Esse princípio vale em um caso parecido com os papéis trocados?
  3. O que mudaria a sua resposta?

Lições relacionadas: O círculo moral: quem conta e por quê, Outros experimentos mentais que mudaram a ética, O sofrimento dos animais selvagens, Vida e ecossistemas: biocentrismo e ecocentrismo.