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Dilemas / Quem conta

O violinista

Você acorda conectado a um violinista que morrerá se for desconectado. Tem obrigação de ficar nove meses?

Origem: Judith Jarvis Thomson, 1971, em “Uma Defesa do Aborto”.

Você acorda em um hospital conectado a um violinista famoso com uma doença renal. A Sociedade dos Amantes de Música o sequestrou porque só o seu sangue é compatível. Se desconectar, ele morre. Em nove meses, ele estará curado.

Você tem obrigação moral de ficar conectado?

O que cada teoria tende a dizer

Deontologia de direitosNão. O direito à vida dele não inclui o direito de usar o seu corpo. Ficar seria generoso, não obrigatório.
Utilitarismo clássicoDepende dos custos: nove meses da sua vida contra a vida dele. Provavelmente sim.
Ética do cuidadoA relação foi imposta, o que muda a responsabilidade; mas a vulnerabilidade dele existe.
Deontologia kantianaVocê foi usado apenas como meio pelos sequestradores; não há dever de consentir com isso.

Tendências, não vereditos: dentro de cada teoria há variantes, e autores da mesma família discordam.

O que o caso ensina

Thomson criou o caso para o debate sobre aborto: mesmo concedendo que o feto é uma pessoa com direito à vida, não se segue que haja obrigação de sustentá-lo com o próprio corpo. Críticos apontam diferenças: a gravidez em geral não é sequestro, e há relação entre mãe e filho. O caso é o ponto de partida de quase toda a discussão filosófica sobre o tema.

Perguntas para pensar

  1. Qual foi a sua primeira reação, e que princípio ela expressa?
  2. Esse princípio vale em um caso parecido com os papéis trocados?
  3. O que mudaria a sua resposta?

Lições relacionadas: Bioética: autonomia, consentimento e os quatro princípios, Outros experimentos mentais que mudaram a ética.