A ideia central
Uma dor igual não conta igual: mentes mais complexas têm interesses de maior peso, porque sofrem de mais maneiras, têm mais a perder e, para alguns, porque a complexidade é fonte de valor. Difere do antropocentrismo por incluir animais; difere do sencientismo pleno por graduá-los.
Referências
Posição comum, de modo implícito, em boa parte da bioética; defendida de formas diferentes por Mary Anne Warren, David DeGrazia e, para a morte mas não para a dor, pela maioria dos sencientistas.
De onde veio
É a posição de fato da maior parte das legislações de bem-estar animal: protegem mais os mamíferos do que os peixes, e mais os primatas do que os roedores.
No dilema do bonde
Conta todos, mas um humano adulto pesa mais do que um animal, e talvez mais do que um bebê, o que o gradualista precisa enfrentar. Entenda o dilema.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Reconhece que capacidades mudam o que está em jogo: um humano perde mais ao morrer do que um peixe.
- Alinhado com a intuição comum e com a prática legal.
- Permite incluir animais sem equipará-los em tudo.
Objeções
- Argumento dos casos marginais: bebês e pessoas com deficiência grave teriam interesses de menor peso.
- A intensidade da dor não parece acompanhar a inteligência; mentes simples podem sofrer mais, sem consolo nem distração.
- Confunde dois gradientes: o dano (que varia) e o peso de um dano igual (que não deveria).
O que dizem os críticos
Sencientistas plenos aceitam que o dano varia com capacidades, mas negam que uma dor igual pese diferente. Antropocentristas dizem que o gradualismo é instável e desliza para o sencientismo.
Filósofos ligados
Lições: Gradualismo: a inteligência muda o peso do sofrimento?.
Nos dilemas: Os casos marginais, O sorites: o paradoxo do monte.
Nos debates: Experimentação em animais, Tirar a vida de um ser senciente: qual é o dano da morte?.