A ideia central
O temporalista dá menos peso ao bem-estar futuro, por incerteza, distância ou por achar que pessoas futuras são menos reais. O atemporalista diz que a data é como a distância no espaço: muda o que sabemos, não o que vale. Descontar o futuro por incerteza é legítimo; descontá-lo só por ser futuro, não.
Referências
Henry Sidgwick e Derek Parfit (atemporalistas); Toby Ord e William MacAskill (longoprazismo); economistas como Frank Ramsey e William Nordhaus sobre taxas de desconto.
De onde veio
Sidgwick afirmou em 1874 que o tempo não muda o valor. Parfit distinguiu o desconto puro, injustificável, do desconto por incerteza, em Reasons and Persons (1984).
No dilema do bonde
Não muda o dilema de hoje. Muda quando as vítimas estão no futuro: para o atemporalista, uma morte daqui a cem anos pesa igual. Entenda o dilema.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Atemporalismo: coerente com a imparcialidade e com a intuição de que a dor de dente não dói menos por ser na semana que vem.
- Temporalismo: reconhece a incerteza e a dificuldade de agir por quem não existe.
Objeções
- Atemporalismo: números imensos de pessoas futuras podem engolir o presente, e há o problema da não identidade.
- Temporalismo: o desconto puro não tem defesa, e a incerteza já é contabilizada pela probabilidade.
O que dizem os críticos
A maioria dos filósofos rejeita o desconto puro e aceita o desconto por incerteza. O debate real é sobre quanto peso dar a pessoas que podem vir a existir, e sobre o risco de fanatismo com números grandes.
Filósofos ligados
Lições: Gerações futuras: quem ainda não nasceu conta igual?, Riscos X e riscos S: o pior que pode acontecer.
Nos debates: Devemos priorizar o futuro distante?, Se tudo vai acabar, por que evitar a extinção?.