A ideia central
Há um tipo de sofrimento tão grave que nenhuma soma de bem-estar de outras pessoas pode compensá-lo: tortura, agonia, desespero. Esse sofrimento tem prioridade absoluta. Para sofrimentos e prazeres comuns, a conta é a de sempre.
Referências
R. N. Smart (como crítica), Clark Wolf, Magnus Vinding e o Center for Reducing Suffering em versões contemporâneas.
De onde veio
O termo surgiu em 1958, na crítica de R. N. Smart a Popper. Desde então, versões moderadas foram desenvolvidas para evitar as implicações mais radicais.
No dilema do bonde
Desvie e empurre. Mas a prioridade absoluta aparece em outro lugar: entre salvar cinco de um incômodo e um de uma agonia, salve o um. Entenda o dilema.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Captura a intuição de que não há paraíso que justifique uma câmara de tortura.
- Explica por que casos como Omelas parecem errados.
- Coloca a prioridade onde o sofrimento é mais intenso: dor sem tratamento, criação industrial de animais, atrocidades.
Objeções
- O argumento do botão: se só o sofrimento importa, não deveríamos eliminar toda a vida sem dor? Versões com prioridade absoluta só ao extremo escapam, mas precisam de uma linha.
- Onde começa o “extremo”?
- Lexicalidade: um sofrimento extremo pesa mais do que infinitos prazeres? Parece demais.
O que dizem os críticos
Críticos dizem que a prioridade absoluta leva ao niilismo ou à paralisia. Defensores respondem que a versão sensata só se aplica a casos extremos, que há incerteza enorme sobre o botão, e que a objeção prova que o sofrimento extremo é mesmo especial.
Filósofos ligados
Lições: O peso do sofrimento diante do prazer, Riscos X e riscos S: o pior que pode acontecer.
Nos dilemas: O monstro utilitário, Omelas.
Nos debates: Se tudo vai acabar, por que evitar a extinção?.