A ideia central
Em vez de perguntar “que ato produz mais bem?”, pergunta “que conjunto de regras, se internalizado pela maioria, produziria mais bem?”, e manda seguir essas regras mesmo quando, em um caso específico, quebrá-las daria resultado melhor.
Referências
Richard Brandt, Brad Hooker, John Harsanyi; John Stuart Mill em algumas leituras.
De onde veio
Nasceu como resposta às objeções ao consequencialismo de ato nos anos 1950 e 1960. Hooker a desenvolveu em Ideal Code, Real World (2000).
No dilema do bonde
Desvie, porque uma regra que permite redistribuir uma ameaça para salvar mais vidas é boa. Não empurre: uma regra que permite usar corpos como obstáculos deixaria todos inseguros. Entenda o dilema.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Previsível e estável: as pessoas sabem o que esperar umas das outras.
- Protege direitos e promessas, porque regras que os respeitam dão bons resultados.
- Evita o raciocínio motivado de quem acha que seu caso é a exceção.
Objeções
- Manda seguir a regra mesmo quando quebrá-la seria claramente melhor, o que Smart chamou de “adoração de regras”.
- Regras boas precisam de exceções, e as exceções precisam de regras, até virar consequencialismo de ato.
- Qual conjunto de regras? O ideal para seres perfeitos ou o possível para humanos reais?
O que dizem os críticos
Críticos de ambos os lados: para os consequencialistas de ato, é incoerente valorizar resultados e depois ignorá-los; para os deontologistas, é chegar às regras certas pelo motivo errado, o que as torna frágeis.
Filósofos ligados
Lições: Bentham, Mill e o utilitarismo clássico, Punição: por que e como punir, Ética da inteligência artificial.
Nos dilemas: O transplante, O dilema do prisioneiro, O paradoxo da tolerância, Os torturadores inofensivos.
Nos debates: Mentir é sempre errado?, Tortura: nunca, ou na bomba-relógio?, Punir por merecimento ou para prevenir?, Vigilância e privacidade, Pequenas trapaças: pirataria, sonegação, furar fila, Plágio e mais 16
Pirataria, Corrupção: do “jeitinho” ao desvio, Compensação moral: doar compensa causar dano?, Em que focar: consequências, regras ou caráter?, Pseudociências: acreditar é um problema moral?, Bolhas e câmaras de eco: de quem é a culpa?, É errado haver pseudociência nas universidades?, Censura: quando é legítimo impedir que algo seja dito?, Mudar o meio ou mudar a cabeça das pessoas?, Preferências póstumas: o que o morto quis ainda conta?, Empresas têm deveres além do lucro?, Apostas: liberdade, vício e quem lucra com ele, Vacinação obrigatória: o corpo de um e o dano aos outros, Separar a obra do artista?, Os fins justificam os meios?, Tornar ignorantes famosos é errado?