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Dilemas / Agregação e população

Os torturadores inofensivos

Mil pessoas, cada uma gira um botão imperceptível; juntas, torturam uma vítima. Ninguém causou dano perceptível. Alguém fez algo errado?

Origem: Derek Parfit, 1984, em Reasons and Persons.

Mil torturadores, cada um com um botão ligado à mesma vítima. Cada botão aumenta a dor em uma quantidade tão pequena que a vítima não percebe. Cada torturador gira o seu uma vez. No fim, a vítima está em agonia. Nenhum torturador, sozinho, causou dor perceptível.

Cada um pode dizer “meu ato não fez diferença”. Está certo?

O que cada teoria tende a dizer

Consequencialismo de atoEm apuros: se cada ato não muda nada perceptível, nenhum é errado, e a agonia não tem autor. Parfit conclui que a teoria precisa contar efeitos imperceptíveis ou contribuições a conjuntos.
Deontologia kantianaA máxima “contribuo para um dano porque minha parte é imperceptível” universalizada produz o dano; proibida.
Consequencialismo de regrasA regra “não participe de conjuntos de atos que juntos causam dano” resolve: é a lição para clima e consumo.
Ética das virtudesA pessoa boa não gira o botão, e não precisa de uma conta para saber.

Tendências, não vereditos: dentro de cada teoria há variantes, e autores da mesma família discordam.

O que o caso ensina

O caso é a versão pura da ética do dano difuso: clima, consumo de produtos de animais criados industrialmente, pequenas trapaças. Parfit mostrou que “minha parte não faz diferença” é um erro de raciocínio moral quando o dano é produzido pelo conjunto, e que uma ética adequada precisa avaliar o que fazemos juntos, não só um a um.

Perguntas para pensar

  1. Qual foi a sua primeira reação, e que princípio ela expressa?
  2. Esse princípio vale em um caso parecido com os papéis trocados?
  3. O que mudaria a sua resposta?

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