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Dilemas / Cooperação e responsabilidade

Os casos de Frankfurt

Jones vota em A por conta própria, mas um dispositivo o forçaria se ele fosse votar em B. Ele não podia fazer diferente, e é responsável. Como?

Origem: Harry Frankfurt, 1969, em “Alternate Possibilities and Moral Responsibility”.

Black quer que Jones vote em A e implanta nele um dispositivo que, se Jones fosse decidir por B, o forçaria a votar em A. Mas Jones decide por A sozinho; o dispositivo nunca é acionado. Jones não poderia ter votado diferente.

Jones é responsável pelo voto? Se sim, responsabilidade não exige poder ter feito diferente.

O que cada teoria tende a dizer

Deontologia kantianaKant exigia liberdade como condição; o caso sugere que a liberdade relevante é agir pelas próprias razões, não ter alternativas.
Utilitarismo clássicoResponsabilizar faz sentido pelo efeito sobre a conduta futura; alternativas não importam.
Ética das virtudesJones agiu segundo seu caráter; é isso que avaliamos.
Ética existencialistaJones escolheu; o dispositivo não escolheu por ele. Responsabilidade é isso.

Tendências, não vereditos: dentro de cada teoria há variantes, e autores da mesma família discordam.

O que o caso ensina

O caso derrubou o “princípio das possibilidades alternativas” e abriu caminho ao compatibilismo contemporâneo: ser responsável é agir pelas próprias razões, com a própria vontade, e isso é compatível com não poder ter feito diferente, e portanto com o determinismo. Críticos tentam mostrar que sempre resta uma alternativa mínima (um “lampejo” de liberdade). Veja a lição sobre livre-arbítrio.

Perguntas para pensar

  1. Qual foi a sua primeira reação, e que princípio ela expressa?
  2. Esse princípio vale em um caso parecido com os papéis trocados?
  3. O que mudaria a sua resposta?

Lições relacionadas: Livre-arbítrio e responsabilidade moral, Punição: por que e como punir.