A ideia central
Para Sartre, a existência precede a essência: não nascemos com uma natureza que diga o que devemos ser; nos fazemos pelas escolhas, e somos inteiramente responsáveis por elas. Fugir dessa responsabilidade, alegando que “não tinha escolha” ou “sou assim”, é má-fé. Beauvoir acrescenta que minha liberdade exige a dos outros: escolher-se é escolher um mundo em que todos possam escolher.
Referências
Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Albert Camus; precursores em Kierkegaard e Nietzsche.
De onde veio
Formulada na França dos anos 1940, sob a ocupação e a Resistência. O Existencialismo é um Humanismo (1946) e Por uma Moral da Ambiguidade (1947) são os textos centrais.
No dilema do bonde
Não há regra que decida por você; você escolhe e responde. O que o existencialismo condena é fingir que a situação ou a teoria escolheu. Entenda o dilema.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Leva a sério a responsabilidade: ninguém se esconde atrás de regras, natureza ou circunstâncias.
- Explica a angústia moral como parte de ser livre, não como falha.
- Beauvoir ligou a liberdade individual à libertação dos outros, com consequências políticas (feminismo, anticolonialismo).
Objeções
- Se não há valores dados, por que escolher uma coisa e não outra? A teoria parece não ter conteúdo.
- Sartre prometeu uma ética e não a escreveu; Beauvoir fez a tentativa mais completa.
- Exagera a liberdade: pobreza, trauma e opressão limitam as escolhas de modo que a má-fé não descreve.
O que dizem os críticos
Analíticos acham o existencialismo vago; marxistas (e o próprio Sartre, depois) acharam que ignorava as condições materiais. A ideia de responsabilidade radical sobreviveu como corretivo a toda desculpa.
Filósofos ligados
Lições: Ética e sentido da vida: o que torna uma vida significativa, Livre-arbítrio e responsabilidade moral.
Nos dilemas: Os casos de Frankfurt, O Gauguin de Williams.
Nos debates: Primitivismo: a civilização foi um erro?, Se tudo vai acabar, por que evitar a extinção?.