A ideia central
Kant pedia que cada um testasse sozinho a universalidade de sua máxima. Habermas transfere o teste para o diálogo real: uma norma só é válida se puder obter o consentimento de todos os afetados em um discurso em que só vale a força do melhor argumento, sem coerção, exclusão ou engano. A ética não está no conteúdo, mas no procedimento.
Referências
Jürgen Habermas, Karl-Otto Apel; influência em Seyla Benhabib e Rainer Forst.
De onde veio
Formulada nos anos 1980 na Alemanha, a partir da teoria da ação comunicativa de Habermas, como alternativa ao decisionismo e ao relativismo. Influenciou a teoria da democracia deliberativa.
No dilema do bonde
Que norma sobre redistribuir ameaças todos os afetados aceitariam em diálogo livre? Provavelmente a de desviar; não a de usar corpos como obstáculos. Entenda o dilema.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Ancora a moral na prática de dar e pedir razões, que ninguém pode recusar sem se contradizer.
- Inclui os afetados como participantes, não como objetos de cálculo.
- Dá base filosófica à democracia e aos direitos de participação.
Objeções
- Quem não pode participar do discurso (bebês, animais, gerações futuras) só entra por representação, e a teoria tem dificuldade com eles.
- Diálogos reais nunca são livres de coerção; o critério é um ideal regulador difícil de aplicar.
- O procedimento pressupõe valores (igualdade, liberdade de fala) que precisam de defesa própria.
O que dizem os críticos
Comunitaristas dizem que o procedimento é vazio sem tradições; críticos feministas, que o “discurso livre” favorece quem já tem voz. Sencientistas, que a exclusão dos que não falam repete a falha do contratualismo.
Filósofos ligados
Nos debates: Religião na política, Bolhas e câmaras de eco: de quem é a culpa?, É errado haver pseudociência nas universidades?, Censura: quando é legítimo impedir que algo seja dito?, Humildade intelectual: dever de duvidar ou desculpa?, Tornar ignorantes famosos é errado?.