Dilemas / Vida boa e caráter
O Gauguin de Williams
Um pintor abandona a família para pintar no Taiti. Se virar um grande artista, foi justificado? Se fracassar, não? A sorte decide o juízo?
Origem: Bernard Williams, 1976, em “Moral Luck”.
O juízo sobre a escolha pode depender de algo que o agente não controlava?
O que cada teoria tende a dizer
| Deontologia kantiana | Não: a moral só julga a vontade, e a vontade foi a mesma nos dois casos. O abandono foi errado, com ou sem obras-primas. |
|---|---|
| Utilitarismo clássico | Em parte sim: as consequências diferem, e o valor esperado da aposta é o que se avalia; mas o ato é o mesmo. |
| Ética das virtudes | O que o caso revela é o caráter: o que o pintor devia a quem dependia dele, e o que ele se devia. |
| Ética existencialista | Ele escolheu e responde pela escolha; a justificação pelo resultado é má-fé. |
Tendências, não vereditos: dentro de cada teoria há variantes, e autores da mesma família discordam.
O que o caso ensina
Williams usou o caso para mostrar a sorte moral: julgamos pessoas por resultados que não controlaram, e não conseguimos parar de fazê-lo. Kant queria uma moral imune à sorte; Williams argumenta que essa moral não existe, e que o arrependimento do agente (que o pintor fracassado sente e o bem-sucedido talvez não) é parte legítima da vida moral. Veja a lição sobre livre-arbítrio e responsabilidade.
Perguntas para pensar
- Qual foi a sua primeira reação, e que princípio ela expressa?
- Esse princípio vale em um caso parecido com os papéis trocados?
- O que mudaria a sua resposta?
Lições relacionadas: Livre-arbítrio e responsabilidade moral.
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