Dilemas / Vida boa e caráter
O dilema de Heinz
Heinz não tem dinheiro para o remédio que salvaria a mulher. Deve roubá-lo? A pergunta era sobre como as pessoas raciocinam.
Origem: Lawrence Kohlberg, anos 1950 e 1960, para estudar o desenvolvimento moral.
Heinz deve roubar? E, mais importante para Kohlberg: por quê?
O que cada teoria tende a dizer
| Utilitarismo clássico | Sim: uma vida vale mais do que a perda do farmacêutico. |
|---|---|
| Deontologia de direitos | A propriedade do farmacêutico é um direito, mas a vida é um direito mais básico; muitos aceitam o roubo. |
| Ética do cuidado | Gilligan: a pergunta certa é por que o farmacêutico não ajuda, e como mudar a situação, não só a regra. |
| Deontologia pluralista (deveres prima facie) | O dever de beneficência à esposa supera o de respeitar a propriedade neste caso. |
Tendências, não vereditos: dentro de cada teoria há variantes, e autores da mesma família discordam.
O que o caso ensina
Kohlberg não queria saber a resposta, e sim o raciocínio: medo de punição, obediência à lei, princípios universais. Carol Gilligan notou que meninas tendiam a responder reformulando o problema (“por que ninguém conversa com o farmacêutico?”) e eram pontuadas como imaturas. Dessa crítica nasceu a ética do cuidado.
Perguntas para pensar
- Qual foi a sua primeira reação, e que princípio ela expressa?
- Esse princípio vale em um caso parecido com os papéis trocados?
- O que mudaria a sua resposta?
Lições relacionadas: A ética do cuidado, Educação moral: como se forma uma pessoa boa?.
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