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Dilemas / Cooperação e responsabilidade

O dilema do prisioneiro

Dois presos, cada um melhor se trair, os dois piores se ambos traírem. O modelo de todo problema de cooperação.

Origem: Merrill Flood e Melvin Dresher, 1950; formalizado por Albert Tucker.

Dois cúmplices são presos e interrogados em separado. Se um delata e o outro cala, o delator sai livre e o outro pega dez anos. Se os dois delatam, pegam cinco anos cada. Se os dois calam, pegam um ano cada. Nenhum sabe o que o outro fará.

Cada um faz melhor delatando, seja o que for que o outro faça. E os dois juntos fazem melhor calando. O que a razão manda?

O que cada teoria tende a dizer

Egoísmo éticoDelate: domina em qualquer caso. E o resultado é pior para os dois.
Contratualismo hobbesianoÉ o estado de natureza: cada um racional, todos piores. A saída é um acordo que torne a traição custosa.
Deontologia kantianaUniversalize: “delato quando convém” leva ao pior mundo; calar é o que se pode querer como regra.
Consequencialismo de regrasA regra “coopere com quem coopera” produz mais bem do que “maximize cada jogada”.
Ética das virtudesA pessoa confiável cala, e é por isso que outros cooperam com ela.

Tendências, não vereditos: dentro de cada teoria há variantes, e autores da mesma família discordam.

O que o caso ensina

O dilema mostra que a racionalidade individual pode produzir o pior resultado coletivo, e que a moral (promessas, confiança, reputação, instituições) é em boa parte a tecnologia que resolve isso. Em jogos repetidos, a estratégia que vence é cooperar e retaliar só a traição (“olho por olho”), o que sugere por que a reciprocidade evoluiu. Clima, impostos e corrida armamentista são dilemas do prisioneiro com muitos jogadores.

Perguntas para pensar

  1. Qual foi a sua primeira reação, e que princípio ela expressa?
  2. Esse princípio vale em um caso parecido com os papéis trocados?
  3. O que mudaria a sua resposta?

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