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Dilemas / Cooperação e responsabilidade

O paradoxo da tolerância

Uma sociedade tolerante com os intolerantes acaba destruída por eles? Popper disse que sim, com uma condição que costuma ser esquecida.

Origem: Karl Popper, 1945, em A Sociedade Aberta e seus Inimigos.

Uma sociedade decide tolerar todas as opiniões. Um movimento intolerante usa essa liberdade para crescer, e, quando chega ao poder, suprime a tolerância. A tolerância ilimitada levou ao fim da tolerância.

A sociedade tolerante deve tolerar os intolerantes?

O que cada teoria tende a dizer

Utilitarismo clássicoA liberdade de expressão vale pelas consequências; se destrói a própria liberdade, as consequências a limitam. Mas o limite deve ser o mais estreito possível.
Contratualismo rawlsianoA sociedade justa pode limitar a liberdade dos intolerantes só quando eles ameaçam de fato a ordem de liberdades iguais.
Deontologia de direitosA expressão é um trunfo; a incitação à violência e a supressão de direitos alheios não são expressão.
Consequencialismo de regrasUma regra que permite ao Estado calar “intolerantes” é usada contra dissidentes; a regra boa é estreita e exige ameaça concreta.

Tendências, não vereditos: dentro de cada teoria há variantes, e autores da mesma família discordam.

O que o caso ensina

A nota de rodapé de Popper é mais cautelosa do que o uso que se faz dela: ele propõe suprimir os intolerantes só quando eles recusam o argumento e passam à força, e defende primeiro combatê-los com argumentos e opinião pública. O paradoxo não autoriza calar quem discorda; autoriza defender-se de quem quer calar. Veja o debate sobre liberdade de expressão.

Perguntas para pensar

  1. Qual foi a sua primeira reação, e que princípio ela expressa?
  2. Esse princípio vale em um caso parecido com os papéis trocados?
  3. O que mudaria a sua resposta?