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Dilemas / Cooperação e responsabilidade

A tragédia dos comuns

Um pasto comum, cada pastor com incentivo para pôr mais uma vaca, e o pasto destruído. Clima, pesca e trânsito em uma imagem.

Origem: William Forster Lloyd, 1833; popularizado por Garrett Hardin, 1968.

Um pasto é aberto a todos os pastores da aldeia. Cada um ganha o lucro inteiro de mais uma vaca e divide com todos o custo do desgaste do pasto. Logo, cada um põe mais vacas. O pasto se esgota, e todos perdem.

Se cada ato individual é racional e o resultado é a ruína de todos, quem errou?

O que cada teoria tende a dizer

Consequencialismo de atoCada vaca a mais tem efeito quase nulo; a conta individual aprova, e a soma destrói. É o limite do cálculo caso a caso.
Deontologia kantiana“Ponho uma vaca a mais porque meu efeito é pequeno” não é universalizável: se todos o fizerem, o pasto acaba.
Contratualismo escanlonianoQue regra de uso ninguém rejeitaria? Cotas, rodízio, limites: o que as aldeias reais inventaram.
Utilitarismo clássicoO bem total exige regras e fiscalização; a solução é institucional, não individual.

Tendências, não vereditos: dentro de cada teoria há variantes, e autores da mesma família discordam.

O que o caso ensina

Elinor Ostrom mostrou que comunidades reais evitam a tragédia com regras locais, monitoramento e sanções graduais, sem precisar de privatização nem de Estado central. O dilema explica por que a ética climática não se resolve só com virtude individual, e por que “minha parte não faz diferença” é verdadeiro no caso e falso no agregado. Veja a lição sobre ética climática.

Perguntas para pensar

  1. Qual foi a sua primeira reação, e que princípio ela expressa?
  2. Esse princípio vale em um caso parecido com os papéis trocados?
  3. O que mudaria a sua resposta?

Lições relacionadas: Responsabilidade coletiva: sua parte nos danos de todos, Ética climática: quem deve o quê, e a quem.