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Dilemas / Vida boa e caráter

O anel de Giges

Um anel torna você invisível. Você continuaria sendo justo sem ninguém para ver?

Origem: Platão, “República”, livro II, na boca de Gláucon.

Giges, um pastor, encontra um anel que o torna invisível. Com ele, seduz a rainha, mata o rei e toma o trono. Gláucon pergunta: se um homem justo e um injusto tivessem esse anel, agiriam de forma diferente?

Somos justos por convicção ou por medo de ser pegos?

O que cada teoria tende a dizer

Egoísmo éticoCom o anel, não há razão para ser justo: a justiça era só prudência.
Ética das virtudesA alma injusta vive em desordem; a justiça vale por si, com ou sem anel.
Deontologia kantianaO dever não depende de ser visto. A máxima “posso trapacear quando invisível” não é universalizável.
Contratualismo hobbesianoDifícil responder: se a moral é pacto por segurança, quem não pode ser pego perde a razão para cumpri-lo.

Tendências, não vereditos: dentro de cada teoria há variantes, e autores da mesma família discordam.

O que o caso ensina

O caso separa moral de reputação. Teorias que fundam a moral no interesse próprio ou no contrato têm dificuldade com ele: quem não pode ser punido perde a razão para ser justo. Teorias que fundam a moral no caráter, no dever ou no bem-estar alheio respondem que a razão nunca foi a punição.

Perguntas para pensar

  1. Qual foi a sua primeira reação, e que princípio ela expressa?
  2. Esse princípio vale em um caso parecido com os papéis trocados?
  3. O que mudaria a sua resposta?

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