Dilemas / Vida boa e caráter
A escolha de Sofia
Um oficial manda uma mãe escolher qual dos dois filhos morrerá; se não escolher, morrem os dois. Qualquer escolha é uma perda irreparável.
Origem: William Styron, 1979, no romance A Escolha de Sofia.
Sofia fez algo errado? Se não, por que a culpa não a deixa?
O que cada teoria tende a dizer
| Utilitarismo clássico | Salvar um é melhor do que perder dois; a escolha foi certa, e a culpa é irracional. |
|---|---|
| Deontologia absolutista | Escolher é participar do assassinato; alguns dizem que a recusa seria a única opção limpa, ao custo das duas vidas. |
| Deontologia pluralista (deveres prima facie) | É um dilema trágico: qualquer escolha viola algo que importa, e o resíduo moral é a percepção correta da perda. |
| Ética das virtudes | A culpa de Sofia não é erro: é o que uma pessoa boa sente ao ser forçada ao impossível. O errado foi o oficial. |
Tendências, não vereditos: dentro de cada teoria há variantes, e autores da mesma família discordam.
O que o caso ensina
O caso é o exemplo central dos dilemas trágicos: situações em que a escolha certa, se existe, ainda deixa resíduo moral. Bernard Williams e Martha Nussbaum argumentam que o sentimento de Sofia é apropriado, não irracional, e que uma teoria que o declara erro perdeu algo sobre a vida moral. O caso também mostra a diferença entre o agente forçado e o autor do mal: a responsabilidade é do oficial.
Perguntas para pensar
- Qual foi a sua primeira reação, e que princípio ela expressa?
- Esse princípio vale em um caso parecido com os papéis trocados?
- O que mudaria a sua resposta?
Lições relacionadas: Pluralismo de valores: quando os bens não se somam.
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