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Debates / Justiça e Estado

Qual vertente política leva a um mundo melhor?

Esquerda, direita, liberalismo, socialismo, conservadorismo: o que a evidência e a filosofia moral permitem dizer, e o que nenhuma delas ainda inclui.

A pergunta parece a mais partidária de todas, mas tem uma parte respondível. Se “mundo melhor” significa menos sofrimento, mais bem-estar, direitos protegidos e progresso que dura, é possível olhar a história e os dados e perguntar que arranjos produziram isso. A resposta tem um núcleo de consenso e uma margem de disputa legítima, e deixa de fora um grupo que nenhuma vertente tradicional representa.

Antes de ler: para que lado você pende?

As perspectivas

O que há de consenso

  • Democracia liberal com Estado de direito: regimes com eleições competitivas, imprensa livre, tribunais independentes e direitos protegidos produziram, em média, mais bem-estar, menos fome, menos guerra entre si e nenhuma das grandes fomes do século XX, que ocorreram todas sob autocracias (Sen).
  • Contra os extremos: os regimes totalitários de esquerda e de direita do século XX foram as maiores catástrofes morais produzidas por seres humanos; a filosofia moral é quase unânime em rejeitar qualquer vertente que suspenda direitos em nome de um fim, por mais nobre que soe.
  • Economia de mercado com Estado social: os países que combinam mercado, Estado de direito e um Estado de bem-estar substancial (os nórdicos são o caso típico) estão no topo de quase todas as medidas de bem-estar, confiança e mobilidade.
  • Ciência e abertura: vertentes que subordinam a evidência à doutrina erram mais, e demoram mais para corrigir.

O que é disputa legítima

  • Quanto redistribuir: igualitaristas e prioritaristas defendem mais; liberais clássicos e conservadores alertam para incentivos, concentração de poder estatal e perda de liberdade. Os dados mostram trade-offs reais e nenhuma resposta única.
  • Tamanho do Estado e das empresas: a esquerda teme o poder econômico concentrado; a direita, o poder político concentrado. Os dois medos têm histórico que os justifica.
  • Tradição e mudança: conservadores dizem que instituições encarnam sabedoria acumulada e que reformas rápidas quebram o que não entendem; progressistas dizem que o mesmo argumento defendeu a escravidão e a exclusão das mulheres. Os dois têm casos a favor.
  • Nação e cosmopolitismo: deveres com os compatriotas contra deveres com todos; veja o debate sobre imigração.

O que nenhuma vertente inclui

  • Nenhuma corrente política tradicional conta os animais: direita e esquerda assumem que o mundo melhor é o mundo melhor para humanos, e a criação industrial cresce sob todos os governos. Pelo número de seres afetados, essa é a maior omissão de todas as plataformas.
  • Gerações futuras e riscos catastróficos: sistemas eleitorais de quatro anos não representam quem ainda não nasceu; a vertente que levar isso a sério ainda não existe como força política (Zoopolis, longoprazismo).

Posições gerais. Muita gente concorda em parte com cada lado.

O que cada teoria tende a dizer

Contratualismo rawlsianoLiberdades básicas iguais e desigualdade só se beneficiar os que estão pior: o fundamento filosófico do Estado social.
Deontologia de direitosO Estado mínimo protege direitos e nada mais; redistribuir é violar.
PrioritarismoJulgue a política pelo que faz por quem está pior, onde quer que esteja.
Utilitarismo clássicoCompare os arranjos pelo bem-estar total que produzem; é o critério dos dados, e inclui os animais se levado a sério.
SencientismoNenhuma vertente atual conta os seres que mais sofrem sob qualquer governo.
Ética confucianaA ordem política depende da virtude de quem governa, não só das regras: a tradição tem valor.

Por que é complexo

Onde a razão pesa

A razão pesa para um lado, com ressalvas

O peso está com um núcleo que a evidência sustenta: democracia liberal com Estado de direito, economia de mercado e Estado social substancial produziu mais bem-estar e menos catástrofe do que qualquer alternativa testada, e as vertentes autoritárias de qualquer sinal foram as piores. Dentro desse núcleo, a disputa entre mais e menos redistribuição, mais e menos Estado, é legítima e sem vencedor claro: depende de trade-offs que os dados mostram e de pesos morais que as teorias dividem. O que a ética acrescenta é um critério que nenhuma vertente atual cumpre: o mundo melhor inclui os animais e as gerações futuras, e a vertente que levar isso a sério não está no espectro de hoje.

Avaliação do site, sujeita a críticas. Evidências e argumentos novos podem mudá-la.

E agora, depois de ler?

Perguntas para pensar

  1. Qual parte é fato, e qual é valor?
  2. Quem paga o preço de cada opção, e essa pessoa tem voz?
  3. Eu aceitaria essa regra sem saber em que lugar estaria?
  4. O que me faria mudar de ideia?

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