A ideia central
Ren, a benevolência ou humanidade, é a virtude central; cultiva-se pelo ritual (li), que forma hábitos e respeito, e pela retidão (yi), que faz o certo pelo certo. As cinco relações (governante e súdito, pai e filho, marido e mulher, irmão mais velho e mais novo, amigos) têm deveres próprios. O amor é graduado: começa pela família e se estende, por círculos, a todos.
Referências
Confúcio, Mêncio (a bondade natural), Xunzi (a bondade cultivada contra a natureza); hoje, Tu Weiming, Roger Ames.
De onde veio
Formulada nos Analectos (século V a.C.) e desenvolvida por Mêncio e Xunzi; tornou-se a ideologia oficial da China por dois milênios. Vive hoje em debates sobre ética de papéis e democracia confuciana.
No dilema do bonde
A pessoa benevolente age para salvar, com pesar; mas se o um fosse seu pai, o amor graduado permitiria hesitar. Entenda o dilema.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Realista sobre como a moral se aprende: nas relações, por ritual e exemplo.
- Reconhece deveres especiais e os ordena.
- A regra de ouro negativa (não faça aos outros o que não quer para si) aparece aqui com clareza.
Objeções
- A hierarquia das relações legitimou autoridade injusta e a subordinação das mulheres.
- O amor graduado é parcial; Mozi o criticou como fonte da injustiça.
- Pouco sobre quem está fora das relações: estrangeiros, animais.
O que dizem os críticos
Moístas e, hoje, universalistas criticam a parcialidade. Confucianos respondem que o amor graduado é o único psicologicamente possível, e que ele se expande por círculos até incluir todos.
Filósofos ligados
Lições: As éticas religiosas: o que cada tradição ensina, Parcialidade: até onde cuidar mais dos seus?, Educação moral: como se forma uma pessoa boa?.
Nos debates: Qual vertente política leva a um mundo melhor?, Com grande poder vem grande responsabilidade?, Humildade: virtude, vício ou postura?.