A ideia central
Princípios como “mentir é errado” não são nem verdadeiros nem úteis como guias: mentir pode ser uma razão contra o ato em um caso e a favor em outro (enganar o assassino). As razões morais são holísticas: seu peso e até sua direção dependem do contexto. A pessoa moralmente competente vê o que importa em cada situação, como o médico vê o caso e não só o manual.
Referências
Jonathan Dancy; raízes em Aristóteles, Ross e McDowell.
De onde veio
Dancy desenvolveu a posição a partir dos anos 1980, em Moral Reasons (1993) e Ethics Without Principles (2004). É a versão extrema da desconfiança das regras que a ética das virtudes já tinha.
No dilema do bonde
Olhe o caso: o que pesa aqui não é o que pesaria em outro. Não há regra geral sobre bondes. Entenda o dilema.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Explica por que toda regra tem exceções e por que a sensibilidade ao caso é central na vida moral.
- Encaixa com a prática de juristas e médicos, que raciocinam por casos.
- Evita o dogmatismo.
Objeções
- Sem princípios, como se ensina moral, como se justifica uma decisão a outros e como se critica uma tradição?
- Que a direção de uma razão varie é contestado: a dor parece sempre contar contra.
- Pode ser cobertura para arbitrariedade.
O que dizem os críticos
Generalistas dizem que princípios com exceções ainda são princípios, e que o particularismo descreve a aplicação, não a estrutura da moral. Dancy responde que a estrutura é exatamente o que está em questão.
Filósofos ligados
Nos debates: Em que focar: consequências, regras ou caráter?, Separar a obra do artista?.