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Debates / Fundamentos da ética

Qual é o critério moral mais sólido?

Regra de ouro, véu da ignorância, universalidade, coerência, justiça, imparcialidade: são testes diferentes, e todos apontam na mesma direção.

Diante de uma regra moral, como saber se ela é boa? A filosofia produziu vários testes: a regra de ouro, o imperativo de Kant, o véu de Rawls, a universalizabilidade de Hare, a coerência de Rawls e Sidgwick, a igual consideração de Singer. Qual é o mais sólido, e eles concordam?

Antes de ler: para que lado você pende?

As perspectivas

Os critérios e o que cada um testa

  • Regra de ouro: trate os outros como gostaria de ser tratado. Intuitiva e universal entre culturas; falha quando os outros não querem o que você quer, e por isso a versão melhor pergunta o que o outro tem razão de querer.
  • Universalidade (Kant, Hare): a regra deve valer para todos em situação igual, inclusive para você e seu adversário. Elimina exceções em causa própria; não diz qual regra escolher entre as universalizáveis.
  • Véu da ignorância (Rawls): escolha as regras sem saber quem você será. Retira o interesse próprio da decisão; depende de como se modela a escolha.
  • Coerência (equilíbrio reflexivo): casos iguais pedem tratamento igual, a menos que haja diferença relevante. É o motor de todo progresso moral; só funciona com bons casos para comparar.
  • Justiça (dar a cada um o que lhe é devido): o critério mais antigo; precisa de uma teoria do que é devido.
  • Imparcialidade e igual consideração (Sidgwick, Singer): interesses iguais contam igual, seja de quem forem. É o que os outros critérios tentam formular.

Para onde eles convergem

  • Todos são formas de remover a parcialidade: a exceção que você faz para si, para os seus, para o seu grupo.
  • Aplicados com honestidade, todos perguntam a mesma coisa: que diferença relevante justifica tratar este caso de forma diferente?
  • Levados até o fim, levam ao critério mais abrangente: se o que importa é poder ser prejudicado ou beneficiado, o círculo inclui todos os seres sencientes, e nenhum traço (cor, sexo, nação, espécie) serve para excluir.
  • Rowlands mostrou isso com o véu: se esconde talento e classe, deve esconder a espécie. Singer, com a igual consideração: a dor é dor, seja de quem for.

Posições gerais. Muita gente concorda em parte com cada lado.

O que cada teoria tende a dizer

SencientismoO ponto de chegada: quem pode ser prejudicado ou beneficiado conta, sem traço que exclua.
Deontologia kantianaA universalizabilidade como teste de toda máxima.
Contratualismo rawlsianoO véu como procedimento de imparcialidade.
Contratualismo estendidoO véu levado até a espécie.
Prescritivismo universalUniversalizar é pesar as preferências de todos como as próprias.
Utilitarismo clássicoO ponto de vista do universo: cada um conta por um.

Por que é complexo

Onde a razão pesa

A razão pesa claramente para um lado

Os critérios são formulações de uma mesma exigência, a imparcialidade: casos iguais, tratamento igual, salvo diferença relevante. Nenhum é “o mais sólido” isoladamente; o mais sólido é o uso combinado, e ele converge. Quando se pergunta qual é a diferença relevante entre quem sofre, nenhuma das fronteiras tradicionais resiste, e o critério mais abrangente, a igual consideração de todos os seres sencientes, é o que sobra. O desacordo real fica sobre graus e sobre como pesar, não sobre quem entra.

Avaliação do site, sujeita a críticas. Evidências e argumentos novos podem mudá-la.

E agora, depois de ler?

Perguntas para pensar

  1. Qual parte é fato, e qual é valor?
  2. Quem paga o preço de cada opção, e essa pessoa tem voz?
  3. Eu aceitaria essa regra sem saber em que lugar estaria?
  4. O que me faria mudar de ideia?

Lições relacionadas: Imparcialidade: a regra de ouro, o véu e a universalidade, Como funciona um argumento moral, Igualdade humana: em que ela se baseia?, O círculo moral: quem conta e por quê, Especismo e a igual consideração de interesses.