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Debates / Fundamentos da ética

Existe verdade moral?

“A tortura é errada” é verdadeiro como “a água ferve a 100 graus”? Realistas dizem que sim; antirrealistas, que a frase faz outra coisa. O que está em jogo.

É a pergunta central da metaética. Se há verdades morais, podemos estar errados sobre elas e descobri-las; se não há, dizer que algo é errado expressa, prescreve ou inventa. A resposta não decide o que fazer, mas decide o que estamos fazendo ao discutir.

Antes de ler: para que lado você pende?

As perspectivas

Há verdades morais (realismo e objetivismo)

  • A experiência moral se parece com descobrir, não com inventar: quem muda de ideia sobre a escravidão sente que aprendeu.
  • Convergência: em condições de informação e imparcialidade, as pessoas concordam em muito, o que sugere que respondem a algo.
  • Paridade com a lógica e a matemática: rejeitar verdades normativas exigiria rejeitar o que diz o que devemos inferir.
  • O custo da negação: se nada é mesmo errado, o genocídio não é mesmo errado, e isso é mais implausível do que qualquer problema do realismo.

Não há, ou a pergunta está mal posta (antirrealismo e quietismo)

  • Estranheza: que tipo de fato obriga só por ser conhecido? Nada no mundo físico funciona assim (Mackie).
  • Desacordo persistente, inclusive entre especialistas; a evolução moldou intuições para sobreviver, não para rastrear verdades (Street).
  • Economia: toda a prática moral se explica por atitudes, sem fatos extras; e o quase-realismo preserva a fala de “verdade” e “erro”.
  • Quietismo: perguntar se fatos morais existem “lá fora” importa um modelo da física para onde ele não cabe; a prática moral funciona sem esse aval.

Posições gerais. Muita gente concorda em parte com cada lado.

O que cada teoria tende a dizer

Realismo moral não naturalistaHá fatos morais de um tipo próprio, como os matemáticos.
Realismo moral naturalistaHá fatos morais, e são fatos naturais sobre bem-estar.
Teoria do erroA linguagem moral tenta descrever fatos que não existem.
Quase-realismo (expressivismo)Expressamos atitudes, mas temos direito a falar de verdade e erro.
Quietismo metaéticoA pergunta está mal colocada.
Objetivismo moral (universalismo)Há verdades que valem para todos, seja qual for a explicação.

Por que é complexo

Onde a razão pesa

Debate em aberto

É um dos debates mais vivos da filosofia, sem consenso: o realismo não naturalista voltou com força (Parfit, Enoch), e o expressivismo sofisticado responde a cada objeção. O que há de convergência: quase todos rejeitam o relativismo e o subjetivismo simples, e quase todos aceitam que a prática de argumentar, corrigir e progredir faz sentido em qualquer das posições. A pergunta “o que fazer?” sobrevive à metaética inteira.

Avaliação do site, sujeita a críticas. Evidências e argumentos novos podem mudá-la.

E agora, depois de ler?

Perguntas para pensar

  1. Qual parte é fato, e qual é valor?
  2. Quem paga o preço de cada opção, e essa pessoa tem voz?
  3. Eu aceitaria essa regra sem saber em que lugar estaria?
  4. O que me faria mudar de ideia?

Lições relacionadas: O que é metaética: fatos morais existem?, Realismo moral: naturalistas e não naturalistas, Antirrealismo moral: erro, emotivismo e quase-realismo, Relativismo metaético e quietismo.