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Debates / Vida pessoal e relações

Duplo padrão sexual: julgar homens e mulheres igual?

O homem que tem muitos parceiros é “garanhão”; a mulher, recebe outro nome. O duplo padrão é quase universal. Ele tem alguma defesa?

Em quase todas as culturas, a mesma conduta sexual é aprovada ou tolerada em homens e condenada em mulheres. O duplo padrão aparece em palavras, piadas, leis antigas e nas pesquisas de atitude. A pergunta ética é se existe alguma diferença relevante que o justifique.

Antes de ler: para que lado você pende?

As perspectivas

Contra o duplo padrão

  • Imparcialidade: o mesmo ato, julgado de forma diferente só pelo sexo de quem o pratica, é o padrão de todo preconceito. Quem defende a diferença precisa apontar o que muda, além do sexo.
  • As justificativas usuais (risco de gravidez, “natureza”) descrevem fatos que não geram deveres diferentes: a gravidez envolve dois, e a biologia não diz o que é certo.
  • Consequências: o duplo padrão sustenta assédio, controle sobre o corpo das mulheres, violência de “honra” e a culpabilização de vítimas.
  • A mesma conduta não pode ser virtude em um e vício em outro: a ética das virtudes também exige coerência.

O que se diz em defesa, e por que não se sustenta

  • “É a natureza”: mesmo que diferenças de comportamento existam em média, descrever não é prescrever; e a variação entre indivíduos é maior do que entre os sexos.
  • “Tradição e cultura”: toda discriminação já foi tradição; o argumento vale igualmente contra o fim de qualquer injustiça.
  • “Proteger as mulheres”: controle disfarçado de proteção, que a própria pessoa protegida não pediu.

Posições gerais. Muita gente concorda em parte com cada lado.

O que cada teoria tende a dizer

Deontologia kantianaA máxima “julgo pela conduta” é universalizável; “julgo pelo sexo” não.
Utilitarismo clássicoO duplo padrão gera sofrimento (assédio, controle, violência) sem benefício.
Ética das virtudesO que é virtude ou vício não muda com o sexo de quem age.
Contratualismo rawlsianoSob o véu, sem saber o próprio sexo, ninguém aceitaria a regra dupla.
Ética do cuidadoPergunta quem é ferido pelo padrão; são mulheres, quase sempre.

Por que é complexo

Onde a razão pesa

A razão pesa claramente para um lado

Não há defesa filosófica do duplo padrão: nenhuma diferença relevante entre homens e mulheres justifica julgar o mesmo ato de duas formas, e as consequências do padrão são danosas. O que fica em aberto é só o conteúdo do critério único, que cada pessoa pode fixar onde quiser, desde que o aplique a todos.

Avaliação do site, sujeita a críticas. Evidências e argumentos novos podem mudá-la.

E agora, depois de ler?

Perguntas para pensar

  1. Qual parte é fato, e qual é valor?
  2. Quem paga o preço de cada opção, e essa pessoa tem voz?
  3. Eu aceitaria essa regra sem saber em que lugar estaria?
  4. O que me faria mudar de ideia?

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