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Debates / Vida pessoal e relações

Relacionamentos abertos e não monogamia

A monogamia é um padrão moral ou um arranjo entre outros? O que importa: a forma do relacionamento, ou o acordo e a honestidade entre as pessoas?

Relacionamentos abertos, poliamor e outras formas de não monogamia consensual são acordos em que os parceiros aceitam vínculos afetivos ou sexuais com outras pessoas. A pergunta não é se cada pessoa gostaria disso, e sim se há algo moralmente errado em um arranjo assim entre adultos que o escolhem.

Antes de ler: para que lado você pende?

As perspectivas

Não há erro na forma; o que conta é o acordo

  • Autonomia: adultos informados podem definir os termos do próprio relacionamento; o Estado e os outros não têm pretensão sobre isso.
  • O que torna a traição errada é a quebra de um acordo, não o número de parceiros. Onde não há acordo de exclusividade, não há quebra.
  • Honestidade: a não monogamia consensual exige mais conversa explícita do que a monogamia presumida, e pode ser mais honesta, não menos.
  • A monogamia como norma única é recente e cultural; muitas sociedades tiveram outros arranjos.

Cautelas e objeções

  • Ciúme, insegurança e assimetria de poder são reais; o “consentimento” de um parceiro pode ser cedência para não perder o outro.
  • Tradições religiosas e parte da ética das virtudes veem a exclusividade como parte do que o amor é, e não como regra externa.
  • Filhos e redes de apoio: arranjos instáveis têm custo para terceiros que não escolheram.
  • A evidência sobre satisfação e duração é mista e vem de amostras pequenas.

Posições gerais. Muita gente concorda em parte com cada lado.

O que cada teoria tende a dizer

Deontologia kantianaO que importa é não usar ninguém como meio nem enganar; a forma do acordo é livre.
Utilitarismo clássicoDepende do bem-estar dos envolvidos, inclusive terceiros; nenhuma forma vence a priori.
Ética das virtudesDividida: fidelidade como virtude, ou honestidade e generosidade como as virtudes que importam.
Contratualismo escanlonianoQue princípios os parceiros não poderiam rejeitar? Os que exigem acordo explícito e saída possível.
Ética do cuidadoAtenção às necessidades de cada um, inclusive do mais vulnerável no arranjo.

Por que é complexo

Onde a razão pesa

A razão pesa para um lado, com ressalvas

A maior parte dos filósofos morais não vê erro intrínseco na não monogamia consensual: o que a ética exige de um relacionamento é consentimento informado, honestidade e cuidado com terceiros, e isso vale para qualquer forma. As cautelas sobre consentimento sob pressão e sobre filhos são sérias, mas valem para todos os arranjos. A preferência pela monogamia é legítima como escolha pessoal, não como norma para os outros.

Avaliação do site, sujeita a críticas. Evidências e argumentos novos podem mudá-la.

E agora, depois de ler?

Perguntas para pensar

  1. Qual parte é fato, e qual é valor?
  2. Quem paga o preço de cada opção, e essa pessoa tem voz?
  3. Eu aceitaria essa regra sem saber em que lugar estaria?
  4. O que me faria mudar de ideia?

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