Debates / Vida e morte
Pena de morte
O Estado pode matar quem cometeu o pior dos crimes? Merecimento de um lado, erro irreversível e falta de efeito do outro.
Mais de dois terços dos países aboliram a pena de morte na lei ou na prática; alguns, entre eles China, Irã, Arábia Saudita e parte dos Estados Unidos, a mantêm. O debate ético opõe a ideia de que certos crimes merecem a morte à pergunta sobre o que a pena de fato faz.
Antes de ler: para que lado você pende?
As perspectivas
Contra
- Irreversibilidade: condenados inocentes foram executados e muitos foram inocentados antes da execução; nenhum sistema judicial é infalível.
- Não há evidência consistente de que dissuada mais do que a prisão perpétua, segundo revisões da literatura.
- Aplicação desigual: pobres, minorias e quem tem pior defesa são executados em proporção maior.
- Direitos: se há um direito que não se perde por nenhum ato, é o de não ser morto a frio pelo Estado, que tem outros meios de proteger a sociedade.
A favor
- Retributivismo: certos crimes merecem a pena máxima, e a justiça é dar a cada um o que merece; Kant defendeu isso.
- Proteção: quem matou pode matar de novo, inclusive na prisão.
- Para as vítimas e a sociedade, a pena expressa a gravidade do crime.
Posições gerais. Muita gente concorda em parte com cada lado.
O que cada teoria tende a dizer
| Utilitarismo clássico | Contra: sem dissuasão extra, a pena só acrescenta sofrimento e risco de erro. |
|---|---|
| Deontologia kantiana | A favor, por retribuição: o assassino merece a morte. Kantianos de hoje divergem. |
| Deontologia de direitos | Dividida: o direito à vida como trunfo contra o Estado, ou perda do direito pelo crime. |
| Ética das virtudes | Pergunta o que executar faz de quem executa e da sociedade. |
| Contratualismo rawlsiano | Sob o véu, sem saber se seria o inocente condenado por erro, poucos aceitariam. |
Por que é complexo
- O retributivismo é uma teoria séria da punição, e a questão é se a morte é a única forma de dar a um assassino o que merece, ou se a prisão perpétua já o faz.
- Mesmo quem aceita o merecimento em teoria precisa aceitar o sistema real que executa, com seus erros e vieses.
- A pergunta política (deve ser lei?) é diferente da pergunta moral abstrata (alguém pode merecer a morte?).
Onde a razão pesa
Entre filósofos e nas instituições de direitos humanos, o peso está contra: a irreversibilidade diante de erros certos, a falta de efeito dissuasório demonstrado e a aplicação desigual pesam mais do que o merecimento, que a prisão perpétua pode satisfazer. A defesa retributivista pura é a que resta, e ela precisa aceitar executar inocentes de vez em quando.
Avaliação do site, sujeita a críticas. Evidências e argumentos novos podem mudá-la.
E agora, depois de ler?
Perguntas para pensar
- Qual parte é fato, e qual é valor?
- Quem paga o preço de cada opção, e essa pessoa tem voz?
- Eu aceitaria essa regra sem saber em que lugar estaria?
- O que me faria mudar de ideia?
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