Ética
Para Iniciantes
Comece aqui

Debates / Vida e morte

Eutanásia e suicídio assistido

Uma pessoa lúcida, com doença incurável e sofrimento intenso, pode pedir ajuda para morrer? Quem pode ajudá-la?

Eutanásia é a ação de causar a morte de alguém, a seu pedido, para evitar sofrimento; suicídio assistido é dar os meios para que a própria pessoa o faça. Vários países as permitem, com regras; a maioria, não. O debate filosófico é sobre a eutanásia voluntária, pedida por alguém capaz de decidir.

Antes de ler: para que lado você pende?

As perspectivas

A favor de permitir, com salvaguardas

  • Autonomia: a decisão sobre o fim da própria vida, diante de sofrimento incurável, pertence a quem a vive.
  • Compaixão: prolongar uma agonia contra a vontade da pessoa é causar sofrimento sem benefício.
  • Já aceitamos deixar morrer (recusar tratamento, sedação terminal); a diferença para ajudar a morrer é a que Rachels contestou: o resultado e a intenção são os mesmos.
  • Onde é regulada, a experiência mostra que a maioria dos pedidos vem de pessoas com doença terminal e acompanhamento, e não de abandono.

Contra permitir

  • Santidade da vida: tirar uma vida inocente é errado mesmo com consentimento, para a tradição religiosa e para parte da deontologia.
  • Ladeira escorregadia: de terminal e voluntária para crônica, psiquiátrica e, no limite, induzida por pressão familiar ou econômica.
  • Pessoas vulneráveis podem “escolher” morrer por falta de cuidado, e a oferta de morte pode enfraquecer a oferta de cuidados paliativos.
  • O papel do médico muda, e a confiança na medicina pode sofrer.

Posições gerais. Muita gente concorda em parte com cada lado.

O que cada teoria tende a dizer

Utilitarismo clássicoPermite: reduz sofrimento sem compensação, a pedido de quem sofre.
Deontologia kantianaDividido: a autonomia pesa a favor; a tradição kantiana viu no suicídio um uso de si como meio.
Teoria do mandamento divinoEm geral proíbe: a vida pertence a Deus.
Ética do cuidadoPergunta o que a pessoa precisa: às vezes é morrer sem dor, às vezes é não ser abandonada.
Deontologia de limiarRestrição a matar, que cede diante de sofrimento extremo e pedido claro.

Por que é complexo

Onde a razão pesa

A razão pesa para um lado, com ressalvas

A maior parte dos filósofos morais aceita a eutanásia voluntária para doentes terminais lúcidos, com salvaguardas, por autonomia e compaixão, e considera a diferença entre deixar morrer e fazer morrer fraca demais para sustentar a proibição. As objeções mais fortes não são contra o princípio, e sim contra a prática: proteger vulneráveis e garantir cuidados paliativos antes. A extensão a sofrimento psiquiátrico segue em aberto.

Avaliação do site, sujeita a críticas. Evidências e argumentos novos podem mudá-la.

E agora, depois de ler?

Perguntas para pensar

  1. Qual parte é fato, e qual é valor?
  2. Quem paga o preço de cada opção, e essa pessoa tem voz?
  3. Eu aceitaria essa regra sem saber em que lugar estaria?
  4. O que me faria mudar de ideia?

Lições relacionadas: Fazer e deixar acontecer: o viés de omissão, Intenção e previsão: o duplo efeito e os deveres prima facie, Imparcialidade: a regra de ouro, o véu e a universalidade.