Dilemas / Resultado ou regra
Mentir ao assassino
Um assassino pergunta onde está a pessoa que você escondeu. Kant disse que não se pode mentir nem assim.
Origem: Immanuel Kant, 1797, em resposta a Benjamin Constant.
Você mente?
O que cada teoria tende a dizer
| Deontologia kantiana | Não, segundo o próprio Kant: a mentira viola o dever de veracidade, e você não controla as consequências. Quase todos os kantianos de hoje discordam dele. |
|---|---|
| Utilitarismo clássico | Sim, sem hesitar. |
| Deontologia pluralista (deveres prima facie) | Sim: o dever de não causar dano supera o de veracidade neste caso. |
| Ética das virtudes | Sim. A pessoa honesta não é a que entrega inocentes. |
| Deontologia de limiar | Sim: uma vida em risco cruza qualquer limiar razoável para uma mentira. |
Tendências, não vereditos: dentro de cada teoria há variantes, e autores da mesma família discordam.
O que o caso ensina
O caso é a objeção mais famosa ao rigorismo de Kant, e mostra o custo do absolutismo: proteger a pureza da regra acima da vítima. Kantianos modernos respondem que o assassino, ao perguntar com má-fé, não tem direito à verdade, ou que a máxima “mentir para salvar um inocente de um assassino” é universalizável.
Perguntas para pensar
- Qual foi a sua primeira reação, e que princípio ela expressa?
- Esse princípio vale em um caso parecido com os papéis trocados?
- O que mudaria a sua resposta?
Lições relacionadas: Deontologia: quando deveres e direitos pesam mais, Kant e o imperativo categórico.
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