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Debates / Fundamentos da ética

Por que ser moral?

Se ninguém visse, você seria justo? A pergunta de Gláucon a Sócrates, e as respostas de 2.400 anos.

Gláucon, na República, desafia Sócrates: as pessoas são justas por medo de serem pegas; com o anel de Giges, que torna invisível, ninguém o seria. Por que ser moral quando não compensa? A pergunta tem duas versões: por que eu, agora, neste caso; e por que qualquer um, em geral.

Antes de ler: para que lado você pende?

As perspectivas

Porque compensa, no fim

  • Platão: a alma injusta vive em desordem; a justiça é saúde da alma, e vale por si mesma, com ou sem anel.
  • Aristóteles e os estoicos: a virtude é parte do florescimento; o injusto não vive bem, mesmo que viva rico.
  • Hobbes e o contratualismo: a cooperação é racional, e quem trapaceia perde a confiança de que depende.
  • Psicologia: pessoas que agem bem relatam mais bem-estar; a culpa e a dissimulação custam.

Porque é certo, compense ou não

  • Kant: a moral obriga incondicionalmente; perguntar “o que ganho?” já é sair da moral.
  • Prichard: a pergunta “por que ser moral?” é um erro; ou se vê que se deve, ou nenhum argumento de interesse convencerá, porque transformaria a moral em prudência.
  • Sidgwick admitiu o dualismo da razão prática: a razão não prova que o egoísta erra; o que ela mostra é que o ponto de vista do universo é tão racional quanto o dele.
  • A resposta de interesse falha nos casos que importam: o sacrifício pelo estranho, o ato bom que ninguém verá.

Posições gerais. Muita gente concorda em parte com cada lado.

O que cada teoria tende a dizer

Egoísmo éticoSó se compensar; e o anel mostra que às vezes não compensa.
Ética das virtudesA justiça é parte da vida boa, com ou sem anel.
Contratualismo hobbesianoCooperar é racional; quem pode trapacear impune é o problema da teoria.
Deontologia kantianaA moral obriga incondicionalmente; não há “por quê” fora dela.
Utilitarismo clássicoO ponto de vista do universo é racional; o dualismo fica.

Por que é complexo

Onde a razão pesa

A razão pesa para um lado, com ressalvas

A filosofia converge em que a moral não se reduz ao interesse próprio: as respostas de interesse valem para o mundo em geral e falham nos casos cruciais. A posição majoritária é a de Prichard e Kant: ser moral é devido porque os outros contam, e quem pergunta “o que ganho?” já mudou de assunto. O que fica em aberto é o dualismo de Sidgwick: a razão sozinha talvez não refute o egoísta; o que o refuta é a imparcialidade, que ele não aceita.

Avaliação do site, sujeita a críticas. Evidências e argumentos novos podem mudá-la.

E agora, depois de ler?

Perguntas para pensar

  1. Qual parte é fato, e qual é valor?
  2. Quem paga o preço de cada opção, e essa pessoa tem voz?
  3. Eu aceitaria essa regra sem saber em que lugar estaria?
  4. O que me faria mudar de ideia?

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