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Debates / Riqueza e sociedade

Meritocracia é justa?

Recompensar o mérito parece óbvio. Mas de onde vem o mérito, e o que acontece com quem não o tem?

Meritocracia é a ideia de que posições e recompensas devem ir para os mais capazes e esforçados, e não para os bem-nascidos. Nasceu como ideal igualitário contra a aristocracia. A crítica atual pergunta se o mérito não é, ele mesmo, em grande parte herdado, e se uma sociedade organizada por ele é boa para quem fica embaixo.

Antes de ler: para que lado você pende?

As perspectivas

A favor

  • É melhor do que a alternativa histórica: cargos por nascimento, cor ou conexões.
  • Recompensar esforço e competência produz mais e dá a cada um razão para se desenvolver.
  • Igualdade de oportunidades é o que torna a competição justa; o problema é a falta dela, não o mérito.
  • As pessoas são agentes: tratar o esforço como pura sorte nega a responsabilidade.

Contra, ou com fortes ressalvas

  • Rawls: talento, família, saúde e até a disposição para o esforço vêm da loteria natural e social; ninguém merece o ponto de partida, e por isso ninguém merece, no sentido forte, o que sai dele.
  • Sandel: a meritocracia faz os vencedores acreditarem que merecem tudo e os perdedores que merecem nada; o resultado é arrogância em cima e humilhação embaixo.
  • Na prática, o “mérito” medido (notas, diplomas, redes) é comprado pelas famílias ricas; a mobilidade é baixa onde a retórica meritocrática é mais forte.
  • Mesmo com oportunidades iguais, por que o menos talentoso deveria viver pior? A desigualdade de resultado não decorre da igualdade de chance.

Posições gerais. Muita gente concorda em parte com cada lado.

O que cada teoria tende a dizer

Contratualismo rawlsianoDesigualdades só se beneficiarem quem está pior; o mérito não funda merecimento.
Utilitarismo clássicoIncentivos ao mérito valem pelo que produzem; a desigualdade resultante vale só se melhorar o total.
Deontologia de direitosO que se ganha em trocas justas é merecido, talento herdado ou não.
PrioritarismoUm ganho para quem está pior vale mais, mérito à parte.
Ética das virtudesO mérito que importa é o caráter, e ele não aparece em rankings.

Por que é complexo

Onde a razão pesa

A razão pesa para um lado, com ressalvas

Como critério para distribuir posições, o mérito vence as alternativas. Como justificativa moral da desigualdade de vidas, não se sustenta: o ponto de partida não é merecido, e a filosofia desde Rawls converge nisso. A posição mais defendida é usar o mérito para selecionar e os incentivos para motivar, sem concluir que quem ficou embaixo merece ficar.

Avaliação do site, sujeita a críticas. Evidências e argumentos novos podem mudá-la.

E agora, depois de ler?

Perguntas para pensar

  1. Qual parte é fato, e qual é valor?
  2. Quem paga o preço de cada opção, e essa pessoa tem voz?
  3. Eu aceitaria essa regra sem saber em que lugar estaria?
  4. O que me faria mudar de ideia?

Lições relacionadas: Igualdade humana: em que ela se baseia?, Somar, priorizar ou garantir o mínimo?, A ética por trás de cada sistema econômico.