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Debates / Animais

Ter animais de estimação

Amamos cães e gatos, e os criamos para depender de nós. Isso é cuidado, é posse, ou as duas coisas? E o que devemos a eles?

Centenas de milhões de animais vivem como companhia. A maioria das pessoas vê nisso uma relação de afeto; parte da ética animal pergunta se criar seres para depender de nós, comprá-los e vendê-los, confiná-los e decidir tudo por eles é compatível com levar seus interesses a sério.

Antes de ler: para que lado você pende?

As perspectivas

A favor, com deveres

  • Donaldson e Kymlicka: animais domesticados são membros da nossa sociedade; a relação não é o problema, e sim seus termos. Devemos a eles cidadania: cuidado, consideração e voz.
  • Para o animal já existente, uma casa com cuidado é melhor do que o abandono ou o abrigo; adotar é um bem claro.
  • A relação enriquece as duas partes, e a evidência de bem-estar animal em bons lares é forte.

Críticas

  • Francione: a domesticação criou seres dependentes para servir a nós; o ideal seria não haver mais, e a compra sustenta a criação.
  • Criação comercial: fábricas de filhotes, raças com doenças selecionadas de propósito (braquicefalia), e descarte quando inconveniente.
  • Confinamento e controle: castração, isolamento por horas, dieta e reprodução decididas por outro; o afeto não anula a assimetria.
  • Animais de estimação carnívoros são alimentados com outros animais, em escala enorme.

Posições gerais. Muita gente concorda em parte com cada lado.

O que cada teoria tende a dizer

SencientismoOs interesses do animal contam por si; a relação é boa se os serve.
Deontologia de direitosContra a propriedade de seres sencientes; a favor de cuidar dos existentes.
Contratualismo estendidoCidadania para domesticados: direitos e representação, não abolição.
Ética do cuidadoA relação de dependência é o modelo da obrigação; responder a ela é o dever.
Utilitarismo clássicoBem-estar líquido, incluindo os animais usados como ração.

Por que é complexo

Onde a razão pesa

A razão pesa para um lado, com ressalvas

Sobre cuidar de animais que já existem, há consenso de que é bom, e de que os deveres são maiores do que o costume reconhece. Sobre continuar criando e vendendo, o peso está contra a criação comercial, sobretudo a de raças adoecidas, e a favor da adoção. A questão de fundo, se a domesticação deveria continuar, segue aberta entre a visão de membros da comunidade e a abolicionista.

Avaliação do site, sujeita a críticas. Evidências e argumentos novos podem mudá-la.

E agora, depois de ler?

Perguntas para pensar

  1. Qual parte é fato, e qual é valor?
  2. Quem paga o preço de cada opção, e essa pessoa tem voz?
  3. Eu aceitaria essa regra sem saber em que lugar estaria?
  4. O que me faria mudar de ideia?

Lições relacionadas: Animais e a política: cidadania e constituições, Especismo e a igual consideração de interesses, Ética animal na prática: granjas, laboratórios e natureza.