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Debates / Cotidiano

O que devemos aos pais?

Cuidar dos pais na velhice: dívida, gratidão, amizade ou escolha? E quando eles não cuidaram de nós?

Quase todas as tradições afirmam deveres dos filhos para com os pais, e a maioria das pessoas sente que os tem. A filosofia pergunta de onde vêm: de uma dívida pelo que os pais fizeram, de gratidão, da relação que existe, ou de um dever geral de ajudar quem precisa? A resposta muda o que se deve, e a quem.

Antes de ler: para que lado você pende?

As perspectivas

Há deveres especiais

  • Gratidão: os pais deram vida, cuidado e sacrifício; a gratidão gera deveres, mesmo que não um contrato.
  • Relação: Jane English argumentou que os deveres vêm da amizade em curso, não de dívida; o que se deve é o que amigos devem, na medida da relação.
  • Vulnerabilidade: na velhice, os pais dependem dos filhos como os filhos dependeram deles; a ética do cuidado vê aí o modelo da obrigação.
  • Confucionismo: a piedade filial é a raiz de todas as virtudes.

Limites e objeções

  • Ninguém pediu para nascer; o “dever” de retribuir algo não solicitado é frágil (Norman Daniels).
  • Pais abusivos ou ausentes: a dívida, se existe, foi criada pelo cuidado, e sem cuidado não há dívida; a relação de English, nesse caso, não existe.
  • Deveres filiais têm sido usados para explorar sobretudo as filhas, que fazem a maior parte do cuidado.
  • A sociedade também deve aos velhos; transferir tudo para a família é injusto com famílias pobres e pequenas.

Posições gerais. Muita gente concorda em parte com cada lado.

O que cada teoria tende a dizer

Ética do cuidadoA dependência inverte: quem cuidou precisa de cuidado, e a relação pede resposta.
Ética das virtudesGratidão e piedade filial como virtudes centrais, exercidas com juízo.
Deontologia kantianaGratidão como dever; mas ninguém deve o que não pode, e abuso cancela a relação.
Utilitarismo clássicoCuidar dos pais produz bem; a forma mais eficaz pode não ser pessoal.
Contratualismo escanlonianoQue princípio sobre filhos e pais ninguém rejeitaria? Cuidado proporcional ao recebido, com apoio social.

Por que é complexo

Onde a razão pesa

A razão pesa para um lado, com ressalvas

A maioria dos filósofos aceita deveres filiais, mas fundados na relação e na gratidão por cuidado recebido, não em uma dívida pelo nascimento. Isso tem consequências: o dever é proporcional ao cuidado e à relação, não é ilimitado, não recai só sobre um filho (em geral a filha), e não existe para quem foi abandonado ou abusado, além do que se deve a qualquer pessoa.

Avaliação do site, sujeita a críticas. Evidências e argumentos novos podem mudá-la.

E agora, depois de ler?

Perguntas para pensar

  1. Qual parte é fato, e qual é valor?
  2. Quem paga o preço de cada opção, e essa pessoa tem voz?
  3. Eu aceitaria essa regra sem saber em que lugar estaria?
  4. O que me faria mudar de ideia?

Lições relacionadas: A ética do cuidado, Aristóteles, a vida boa e as virtudes, Fazer e deixar acontecer: o viés de omissão.