A ideia central
Para Hume, a razão descobre fatos e meios, mas não move nem aprova: “a razão é escrava das paixões”. O juízo de que uma ação é viciosa é a expressão de um sentimento de desaprovação que surge quando a contemplamos de um ponto de vista geral, não do nosso interesse. Adam Smith refinou a ideia com a figura do espectador imparcial: julgamos bem quando sentimos o que sentiria alguém informado e desinteressado. O sentimentalismo explica por que a moral motiva (é feita de afetos) e por que converge (a simpatia é comum a todos), sem precisar de fatos morais no mundo.
Referências
Shaftesbury, Hutcheson, Hume, Adam Smith; hoje, Simon Blackburn, Allan Gibbard, Michael Slote, Jesse Prinz e a psicologia moral de Haidt.
De onde veio
Nasceu na Escócia do século XVIII contra o racionalismo moral de Clarke e Cudworth. Kant escreveu em parte para responder a Hume. Voltou à frente no século XX com o emotivismo e o expressivismo, e com a psicologia empírica que mostra o peso da emoção no juízo.
No dilema do bonde
Pergunte o que um espectador imparcial sentiria: provavelmente aprovação por desviar e repulsa por empurrar o homem da passarela, e o sentimentalista leva as duas reações a sério. Entenda o dilema.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Explica a motivação: se a moral fosse só razão, saber o certo não moveria, e move.
- Coerente com a psicologia empírica: a emoção vem antes e o raciocínio justifica.
- A simpatia estende-se a quem sofre, humano ou não; Hume e Smith já falavam dos animais.
Objeções
- Sentimentos variam entre pessoas e culturas; o espectador imparcial corrige, mas quem garante que converge?
- Parece não dar conta do progresso moral: a abolição da escravidão foi contra os sentimentos da maioria, por argumento.
- A simpatia é parcial e perto; a moral precisa alcançar os distantes, e isso exige razão (Singer).
O que dizem os críticos
Racionalistas (Kant, Parfit) dizem que o sentimentalismo confunde o que causa o juízo com o que o justifica. Sentimentalistas respondem que uma justificação que não move ninguém não é moral, e que a razão sem simpatia não sabe por que a dor importa.
Filósofos ligados
Lições: A moralidade sem religião, Motivação moral: saber o que é certo move a agir?.
Nos debates: Humor depreciativo, humor negro e os limites do humor.