Ética
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Critérios éticos

Jainismo (ahimsa)

A tradição indiana que levou a não violência mais longe: todo ser vivo tem uma alma (jiva) e sofre; o dever primeiro é não ferir nenhum, em ato, palavra ou pensamento.

Círculo moral
Ponto focal: Não ferir nenhum ser vivo; a extensão máxima do círculo moral entre as tradições antigas. Isso é o que pesa mais para esta posição, não a única coisa que ela considera.

A ideia central

O jainismo ensina que todos os seres, dos humanos aos insetos, às plantas e aos microrganismos, têm uma alma e a capacidade de sofrer, em graus segundo o número de sentidos. A ahimsa (não violência) é o voto maior: vegetarianismo estrito, cuidado para não pisar em insetos, profissões que não matam. Junta-se a ela o anekantavada, a doutrina dos muitos lados: nenhuma visão capta a verdade inteira, o que pede humildade no juízo. O karma é uma substância que adere à alma por cada dano causado; libertar-se é parar de causar dano.

Referências

Mahavira (século VI a.C.), os tirthankaras; influência reconhecida em Gandhi (ahimsa como método político) e, por ele, em movimentos não violentos do século XX.

De onde veio

Contemporâneo do Buda na Índia do século VI a.C., o jainismo sobrevive como comunidade pequena e influente. A sua ética foi a primeira a tratar o dano a qualquer ser vivo como o problema moral central, dois mil anos antes de Bentham perguntar se os animais sofrem.

No dilema do bonde

Um jainista rigoroso hesita em qualquer ato que mate; muitos aceitariam desviar como o menor dano, e nenhum empurraria o homem da passarela. Entenda o dilema.

Pontos fortes: o que pode estar certo

  • Levou a sério, com consequências práticas na vida inteira, que o sofrimento de qualquer ser conta.
  • Antecipou a gradação por capacidade de sentir (os seres de um a cinco sentidos) que o gradualismo moderno discute.
  • A doutrina dos muitos lados é uma ética da humildade epistêmica rara em tradições religiosas.

Objeções

  • Estende a consideração a plantas e microrganismos, que não há evidência de que sintam; o sencientismo corrige o critério para a senciência.
  • O foco em não causar dano (ação) dá pouco peso a prevenir dano causado por outros ou pela natureza.
  • A ideia de karma como substância e de pureza pessoal pode deslocar o foco da vítima para a própria alma de quem age.

O que dizem os críticos

Filósofos da ética animal reconhecem o jainismo como precursor e criticam o alcance (plantas) e o motivo (pureza). O ideal de não ferir, separado da metafísica, está próximo do utilitarismo negativo e da ética focada no sofrimento.

Filósofos ligados

Mahavira (Vardhamana)