A ideia central
Epicuro ensinou que o prazer é o bem, mas distinguiu prazeres naturais e necessários (comida simples, abrigo, amizade) dos vazios (riqueza, fama, luxo), que trazem mais perturbação do que alívio. O prazer mais alto é a ausência de dor no corpo e de perturbação na alma. Os deuses não se ocupam de nós; a morte não é nada para nós, porque onde ela está, não estamos. A amizade é o maior dos bens, e a justiça é um pacto de não prejudicar para não ser prejudicado.
Referências
Epicuro, Lucrécio (De rerum natura), Filodemo; no século XX, influência em Michel Onfray e na filosofia do bem-estar.
De onde veio
Fundado no Jardim de Atenas por volta de 306 a.C., o epicurismo rivalizou com o estoicismo por cinco séculos e foi quase apagado pelo cristianismo, que o confundiu com libertinagem. Foi redescoberto no Renascimento (Gassendi) e inspira o hedonismo de Bentham e as discussões atuais sobre o dano da morte.
No dilema do bonde
Provavelmente desvie: cinco mortes trazem mais dor ao mundo e à sua tranquilidade do que uma; mas o epicurista perguntaria primeiro como viver depois com a escolha. Entenda o dilema.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Primeira teoria hedonista articulada, com uma psicologia do desejo ainda útil: muitos desejos aumentam a perturbação em vez de reduzi-la.
- Argumento clássico contra o medo da morte, que o debate sobre o dano da morte ainda discute.
- Valorizou a amizade e a vida simples contra a ambição, numa linha que vai até os estudos modernos sobre felicidade.
Objeções
- Hedonismo de ausência: uma vida sem dor e sem perturbação pode ser vazia; a máquina de experiências e a crítica de Mill (prazeres superiores) atingem Epicuro.
- A justiça como pacto de conveniência deixa de fora quem não pode prejudicar nem ser útil: animais, estrangeiros fracos, gerações futuras.
- O argumento de que a morte não é nada para nós é rejeitado pela maioria dos filósofos atuais: a morte priva de um futuro bom (veja o debate sobre tirar a vida).
O que dizem os críticos
Os estoicos acusaram Epicuro de reduzir a virtude a cálculo de prazer; os cristãos, de ateísmo prático. Hoje a crítica principal é a do dano da morte: Nagel e outros defendem que a privação é um mal mesmo sem sujeito que a sinta.
Filósofos ligados
Lições: Ética e sentido da vida: o que torna uma vida significativa.
Nos debates: Se tudo vai acabar, por que evitar a extinção?.