A ideia central
Os males do mundo vêm da parcialidade: cada um ama os seus e prejudica os outros. A cura é o cuidado imparcial (jian ai): tratar o Estado dos outros como o próprio, a família dos outros como a própria. Práticas são julgadas por três critérios: precedente dos sábios, evidência dos sentidos e benefício ao povo (riqueza, população, ordem).
Referências
Mozi e a escola moísta; redescoberto por sinólogos e por consequencialistas contemporâneos.
De onde veio
Floresceu na China dos Reinos Combatentes, rivalizando com o confucionismo, que defendia o amor graduado (mais pela família). Desapareceu após a unificação Qin e foi recuperado no século XX.
No dilema do bonde
Desvie: cinco beneficiados contra um prejudicado, sem que o parentesco ou a origem de ninguém conte. Entenda o dilema.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Formulou a imparcialidade dois mil anos antes de Bentham.
- Ligou a ética ao benefício verificável, contra o ritual e a tradição.
- Condenou a guerra de agressão pelo custo a todos os envolvidos.
Objeções
- Os confucianos objetaram que amar todos igualmente é impossível e destrói a família.
- A lista de benefícios (riqueza, população, ordem) é estreita: não inclui a experiência de quem vive.
- Fundamenta o cuidado imparcial na vontade do Céu, o que o aproxima do mandamento divino.
O que dizem os críticos
Mêncio chamou o moísmo de doutrina “sem pai”. Historiadores debatem se o cuidado imparcial era um ideal de política ou de sentimento. Consequencialistas de hoje o veem como ancestral.
Filósofos ligados
Lições: Uma breve história da ética.