A ideia central
Ubuntu, termo das línguas bantu, nomeia a ideia de que a pessoa se constitui nas relações: ser humano é reconhecer a humanidade dos outros e viver em reciprocidade. A conduta certa é a que fortalece a comunidade e a dignidade compartilhada; o erro é o que isola, humilha ou explora. Thaddeus Metz formulou: uma ação é certa na medida em que honra relações de solidariedade e identidade.
Referências
Tradições orais da África austral; Desmond Tutu; filósofos como Mogobe Ramose, Thaddeus Metz, Kwame Gyekye (comunitarismo moderado).
De onde veio
Antiga nas culturas bantu; ganhou formulação filosófica no século XX e papel público na África do Sul pós-apartheid, na Comissão da Verdade e Reconciliação.
No dilema do bonde
A pessoa de ubuntu age para preservar vidas na comunidade, com pesar pelo um; usar alguém como obstáculo rompe a relação que a ética exige. Entenda o dilema.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Corrige o individualismo das éticas ocidentais: ninguém é agente sozinho.
- Deu base a uma prática real de reconciliação em vez de vingança.
- Dignidade como algo que se reconhece mutuamente, não que se possui isolado.
Objeções
- Comunidade pode significar conformismo e opressão dos que não se encaixam.
- A fronteira da comunidade: quem está fora, e os animais?
- Risco de idealização: a tradição foi usada tanto para solidariedade quanto para hierarquia.
O que dizem os críticos
Liberais temem o peso da comunidade sobre o indivíduo; universalistas perguntam pelos de fora. Metz responde que ubuntu, bem entendido, estende a solidariedade a todos os que podem relacionar-se, e discute se inclui os animais.
Nos debates: Reparações históricas: quem deve o quê a quem?.